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LIBERDADE, tema que há milhares de anos alimenta discussões no campo das relações humanas, econômicas e políticas, foi eleita como objeto de estudo entre jovens pesquisadores da ciência logosófica de todas as partes do País, devido à sua relevância para a fase da vida em que se encontram. Alguns resultados desse estudo, que estão publicados no livro “Ensaios sobre liberdade” (ISBN: 978-85-60232-01-7), serão agora compartilhados com você. Assim você é nosso convidado a compartilhar conosco os aprendizados e descobertas que hoje nos permitem sentir mais livres internamente.
Ensaios sobre Liberdade apresenta, de forma variada, episódios que fazem parte da vida do jovem. Retrata a luta de diferentes pessoas contra a força implacável que os pensamentos exercem sobre a vida, mostrando que é possível conhecê-los e dominá-los, selecionando aqueles que nos permitem experimentar a verdadeira liberdade: aquela que surge de dentro de nós.
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O triângulo

O que seria diferente em nossas vidas se fôssemos completamente livres?
Eu logo me imaginei curtindo a vida sem qualquer tipo de compromisso. E, supondo que isso fosse realidade, ainda assim poderia dizer que sou livre? Pois é... Eu achava que sim.
Recordo a primeira vez em que me detive a refletir sobre minha liberdade. Tinha uns 15 anos e, como todo adolescente, ficava imaginando como seria bom se meus pais me deixassem mais livre para ir a shows, festas, etc. Nessa época, em uma conversa com amigos, trouxe essas reflexões em tom de reclamação e fiquei surpreso quando eles me disseram: — Os seus pais já te dão muita liberdade... Você tem muita sorte de ter pais legais assim.
De fato, em comparação a outros jovens, eu desfrutava de certa liberdade, mas até então ignorava essa realidade. Como poderia ter liberdade, desfrutá-la e sequer saber que a possuía? Por que meus pais me davam liberdade? E, sabendo agora que a tinha, o que fazer com ela?
A princípio, a primeira coisa a fazer seria parar de me queixar e usufruí-la conscientemente. Passei a perceber e valorizar as pequenas e frequentes mostras de confiança depositada em mim pelos meus pais e julgava ser mesmo muito sortudo por pertencer àquela família. À minha mente veio a imagem de um triângulo, correlacionando três palavras em cada um de seus vértices: liberdade, responsabilidade e conhecimento. Não há liberdade onde faltam a responsabilidade e o conhecimento. É claro, não? Mas eu sequer imaginava essa verdade. Pelo contrário, dizia-me livre quando agia irresponsavelmente e não precisava dar satisfações a ninguém. Ficou claro, então, que a liberdade que possuía era um crédito concedido pelos meus pais e caberia a mim ampliá-la por meio de uma conduta acertada, levando as coisas mais a sério, até conquistar um conceito digno de confiança e merecedor de uma liberdade ainda mais ampla.
Essas foram experiências de um adolescente que ansiava por ser independente de seus pais, mas que serviram como ponto de partida na forma de entender a grandeza do conceito de liberdade. Hoje, conquistada parte dessa independência, novas situações me fazem questionar se sou realmente livre. Porém, diferentemente do passado, essas não soam como queixas nem me fazem sentir revoltado. Dessa vez mais parecem inquietudes que sinto intimamente. A busca agora é por ser livre de “vontades” que me acometem diariamente e que são claramente contrárias aos meus propósitos.
Outro dia, embora estivesse sem sono, me peguei deitado em uma cama me forçando a dormir. Parece coisa boba, mas estava perdendo tempo, em vez de adiantar um dos tantos afazeres que tinha para aquele dia. Ainda tive de ouvir mentalmente a justificativa: “Descanse agora, para mais tarde estar bem disposto e cumprir seus deveres.” Parecia tão lógica que não consegui me levantar e — adivinhem! — dormi. Nem preciso dizer o quanto tive de correr para sanar o prejuízo. E mais ou menos assim foi o desfecho de várias escolhas que fiz.
Ao retomar a imagem do triângulo, concluí que agora, mais do que desenvolver a responsabilidade, precisava de conhecimento para conquistar o livre-arbítrio. Encontrei um conceito que define essa “vontade” como a expressão da força de um pensamento. Ousei listar por um dia os vários pensamentos que entravam em minha mente. Em seguida os classifiquei como positivos ou negativos, e não ficaram dúvidas: precisava selecionar melhor os pensamentos. E eu me julgava livre! Quanta ingenuidade! Repetindo a experiência de anotar os pensamentos por alguns dias, percebi que ficava mais atento, a ponto de conseguir fazer as minhas escolhas com mais consciência e, poderia dizer, sem medo de errar, com mais liberdade.
Essa busca consciente por minha liberdade interna já dura dez anos e talvez se estenda até o meu último dia. Aparentemente um processo longo, não é mesmo? Alguém poderia até questionar se compensa dedicar tanto esforço. Bem, a respeito disso, se considerarmos que a nossa expectativa de vida é muito maior que os 73,2 anos, segundo o IBGE, e se intuirmos a felicidade experimentada com a sensação de sermos completamente livres, julgo que vale a pena o investimento.
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