Em meio ao debate na Câmara Municipal de Teresina sobre uma proposta que pretende proibir o acesso de mulheres trans a banheiros femininos, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) anunciou nesta terça-feira (9) a ampliação do acesso à saúde para a comunidade trans por meio de ambulatório especializado, em funcionamento desde janeiro deste ano.
O serviço oferece atendimento em especialidades voltadas às demandas clínicas dessa população, com destaque para a endocrinologia, responsável pelo acompanhamento hormonal. Segundo a endocrinologista Carmen Laís Gervásio, do HU-UFPI, além da hormonização, o ambulatório também acompanha condições crônicas, como diabetes e outras comorbidades.
"O cuidado com a população trans envolve diversas áreas, mas a endocrinologia acaba tendo um papel central por conta da terapia hormonal, que auxilia na adequação da aparência física à identidade de gênero do paciente", explica.
Como acessar o ambulatório
O acesso ao ambulatório ocorre por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na consulta, são solicitados exames e definido o tratamento adequado, mas o hospital não fornece diretamente os hormônios utilizados na terapia.
Apesar de estar em funcionamento há cinco meses, apenas quatro pacientes foram atendidos. A administração do HU atribui o baixo número a falhas no fluxo de encaminhamentos, com parte dos pacientes sendo direcionada de forma inadequada para consultas de endocrinologia geral.
Proposta na Câmara
A votação do projeto foi adiada nesta terça-feira após pedido de vista do vereador João Pereira (PT). De autoria do vereador Petrus Evelyn (Progressistas), a proposta integra a chamada Política Municipal de Proteção da Mulher e prevê que banheiros femininos em espaços públicos e privados sejam utilizados exclusivamente por mulheres biológicas. O texto já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deverá retornar à pauta nas próximas sessões.
Ao justificar o pedido, João Pereira afirmou não ter tido acesso ao conteúdo da proposta e disse que pretende analisar o texto e experiências de outras cidades antes de se posicionar.
“Eu não tive acesso ao projeto de lei. Não faço parte da Comissão de Constituição e Justiça, participo apenas das comissões de Educação e Saúde. Como não tive acesso ao projeto, pedi vista para me debruçar sobre ele, verificar experiências de outras cidades e capitais e, a partir daí, me posicionar”, João Pereira ainda ressaltou que o pedido não representa oposição às pautas voltadas às mulheres.