
Um grupo de advogados do Piauí realizou uma reunião na manhã da última quarta-feira (23) para discutir a decisão da OAB Nacional de dar apoio ao processo de impedimento do mandato da presidente Dilma Rousseff.
Para os mais de 300 advogados que assinam o ato, a decisão é de extrema importância, e não poderia ter sido tomada sem se consultar as bases. A OAB - seccional Piauí acompanhou a decisão da Ordem Nacional, e também apoia o impeachment.

Timonenses que assinaram o manifesto
Os advogados timonenses Dr Assis Filho, Dr Francisco Einstein, e Dr Joaquim Lourenço Aragão, também assinaram o manifesto. As advogadas também timonenses Drª Ana Cecília, Advogada Civilista e Professora de Direito participou na elaboração do manifesto, e a Dra Jeanete Fortes, Defensora Pública em Timon também participou e deliberou durante a elaboração

Reunião na sede da OAB iniciou com gritos de "Não vai ter golpe" (Foto: Assis Fernandes / O Dia)
Com a hashtag "#advogadospelademocracia", os advogados também questionam que fundamentos foram considerados pela Ordem para tomar tal direcionamento. Eles consideram que as provas apresentadas até agora contra a presidência não são suficientes para configurar crime de responsabilidade.

O advogado Enzo Samuel Alencar disse que a seccional da OAB no Piauí é a primeira no país a ter um movimento questionando a decisão da Ordem. "Quando soubemos da decisão da OAB Nacional, de imediato iniciamos nosso movimento. Entendemos que foi uma decisão tomada às pressas, sem consultar as bases. Escutar a classe era o mínimo que eles deveriam ter feito", comentou, informando que o documento contra a decisão de apoio ao impeachment já conta com mais de 200 assinaturas. "Esperamos que esse número suba para 500 hoje, e vamos levar ele para outras cidades, para fortalecer o movimento", disse.
Para Enzo Samuel, a decisão da OAB Nacional foi partidarizada, e não técnica, como se espera do sistema judiciário. "Temos que lembrar que em 1964, a OAB apoio o golpe militar, e teve um grande trabalho em reverter os estragos", comenta.

Advogado Enzo Samuel (Foto: Assis Fernandes / O Dia)
Enzo também ressalta que o movimento #advogadospelademocracia não luta a favor da presidente Dilma, do ex-presidente Lula ou do PT. "Somos um movimento supra-partidário, estamos além dos partidos. O que queremos é garantir a democracia", finaliza.
Na mesa da reunião, o vice-presidente da OAB - seccional Piauí, o advogado Lucas Villa disse estar preocupado com a situação atual da política brasileira. "Me preocupa muito, pois uma ditadura judicial é a pior de todas, pois não temos a quem recorrer", comentou, classificando o processo de impeachment como uma "ameaça clara ao estado democrático de direito".

"Um juiz não deve se guiar pela vontade das massas, mas pela boa técnica", afirmou Lucas Villa para a plateia presente. (Foto: Lucas Stefano)
Sem citar nomes, o vice-presidente criticou a atuação do juiz Sergio Moro, à frente das investigações da Operação Lava Jato: "Temos aí uma espécie de populismo judicial. Juízes não podem ser considerados heróis. Um juiz não deve se guiar pela vontade das massas, mas pela boa técnica", afirmou Lucas Villa para a plateia presente. "Não podemos permitir que direitos e garantias constitucionais sejam relativizados para atender ao clamor das massas".
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Edição: Lucas Stefano
Por: Lucas Stefano