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Lava Jato: MPF apresenta nova denúncia contra José Dirceu

A acusação diz respeito a recebimento de propina antes, durante e depois do julgamento do Mensalão.

02/05/2017 13:52

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu, na manhã desta terça-feira (2), uma nova denúncia contra o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato. A acusação diz respeito a recebimento de propina antes, durante e depois do julgamento do Mensalão. 

José Dirceu está preso em Curitiba desde agosto de 2015. Nesta terça-feira, também está prevista no Supremo Tribunal federal a votação do habeas corpus pedido pela sua defesa.

Durante coletiva de imprensa, o procurador Deltan Dallagnol defendeu a manutenção da prisão do ex-ministro, alegando que sua liberdade "representa um grave risco à sociedade, tanto em razão da gravidade concreta dos crimes praticados, como em razão da reiteração dos crimes e ainda em função da influência que ele tem no sistema político-partidário", mas acrescentou que não há na denúncia apresentada um novo pedido de prisão.

Ainda segundo Dallagnol, a denúncia contra Dirceu já vinha sendo "elaborada e amadurecida", mas, em razão do pedido de liberdade que o Supremo julgará nesta tarde, "houve a precipitação" de sua apresentação, com o objetivo de trazer aos magistrados do STF novos elementos "que podem ser ou não considerados" na decisão do julgamento do habeas corpus.


MPF apresenta nova denúncia contra José Dirceu (Fotos Públicas)

Os procuradores afirmam que a Engevix arcou com as despesas de contratação da empresa Entrelinhas Comunicação para prestar serviços de assessoria de imprensa para Dirceu. A empreiteira teria efetuado pagamentos que chegam a R$ 900 mil entre abril de 2011 e julho de 2012 para garantir a continuidade dos serviços — que incluíam relatórios sobre a imagem do ex-ministro perante a sociedade, o gerenciamento de entrevistas, a elaboração de artigos e a organização de um livro assinado pelo acusado.

O procurador da República Júlio Noronha, integrante da força-tarefa do MPF, destacou que a contratação da empresa de assessoria de imprensa coincide com o início do julgamento da Ação Penal 470, conhecida como Mensalão. "Seu envolvimento em um escândalo de corrupção custou-lhe a perda do cargo público e um desgaste de imagem. É chocante que o ex-ministro-chefe da Casa Civil tenha usado dinheiro da corrupção na Petrobras para contornar os efeitos negativos da descoberta de seus crimes. É o crime sendo usado para reduzir os prejuízos do crime descoberto”, ressaltou.

A denúncia também aponta que José Dirceu teria recebido mais de R$ 1,5 milhão da UTC por meio de um aditivo contratual fictício entre a empreiteira e a JD Assessoria, empresa do ex-ministro. A força-tarefa afirma que a motivação dos pagamentos foi o fato de que Dirceu era o suposto "padrinho político" de Renato Duque no cargo de diretor de Serviços da Petrobras. Segundo os procuradores, Duque utilizava o posto para beneficiar a UTC em contratos com a estatal em troca do pagamento de propinas.

"A impunidade no país é tamanha que, no Mensalão, o ex-ministro-chefe da Casa Civil acreditava que sua responsabilização criminal por corrupção seria como um raio que não poderia cair duas vezes em seu quintal", avaliou o procurador da República Roberson Pozzobon, que também integra a força-tarefa.

Esta é a terceira denúncia contra Dirceu no Paraná; as outras duas somam mais de 32 anos de prisão. 

O MPF também denunciou o irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o ex-executivo da Engevix Gerson de Melo Almada, e o ex-executivo da UTC Walmir Pinheiro Santana.

A denúncia aponta a prática de 33 crimes de lavagem de dinheiro para dissimular a origem de mais de R$ 2,4 milhões. Segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF, o valor corresponde a propinas que foram pagas ao ex-ministro decorrente dos crimes de fraude a licitação, cartel e corrupção em benefício das empreiteiras, que assinaram contratos milionários com a Petrobras.

Fonte: Jornal do Brasil
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