A seis dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, Neymar será submetido a uma nova ressonância magnética nesta segunda-feira (8) para definir se terá condições de atuar contra o Marrocos. O exame deve indicar a evolução da lesão muscular na panturrilha direita e orientar a comissão técnica sobre a possível utilização do camisa 10 no primeiro compromisso pelo Grupo C.
A Seleção Brasileira enfrenta o Marrocos no sábado (13), às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A presença de Neymar na estreia da Copa do Mundo depende do resultado da avaliação médica, considerada decisiva para a programação da semana.
O atacante realizou o primeiro exame em 28 de maio, quando se apresentou na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Na ocasião, foi identificada uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha. Desde então, Neymar segue em tratamento intensivo e permanece sob acompanhamento diário do departamento médico.
O técnico Carlo Ancelotti comentou a situação do jogador após a atividade do fim de semana. O treinador afirmou que a comissão técnica aguarda o resultado da ressonância para definir os próximos passos e indicou a possibilidade de reintegração ao grupo. “Acho que a situação é bastante clara. Está fazendo um ótimo trabalho individual. Depois do fim de semana ele vai fazer uma ressonância e, se tudo estiver bem, poderá treinar com o grupo na próxima semana”, projetou.
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Internamente, a avaliação é de que Neymar apresenta evolução clínica e já não relata dores. Caso o exame confirme a recuperação, o atacante poderá participar dos treinos com o elenco ainda nesta semana e, assim, ser relacionado para a estreia da Copa do Mundo. A comissão técnica, no entanto, mantém cautela até a divulgação oficial dos resultados.
Se não houver liberação imediata, Neymar seguirá em preparação para o segundo compromisso da Seleção, marcado para o dia 19 de junho, contra o Haiti, na Filadélfia, às 21h30 (horário de Brasília). A definição sobre a estreia de Neymar na Copa do Mundo será comunicada após a análise das imagens e avaliação conjunta entre médicos e comissão técnica.
Como surgiu a lesão
A lesão aconteceu no dia 17 de maio, durante a partida entre Santos e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. Após o jogo, o departamento médico do Santos identificou um edema de dois milímetros na panturrilha direita, e Neymar não voltou a atuar pelo clube desde então.
Na ocasião, Rodrigo Zogaib, coordenador do Núcleo de Saúde do Santos, classificou o quadro como leve, embora destacasse a necessidade de tratamento e controle de carga física.
“A ideia é entregar apto ou quase apto na apresentação da Seleção”, afirmou Zogaib à CNN.
Os exames realizados posteriormente na Granja Comary, porém, apontaram uma lesão muscular mais séria do que a detectada inicialmente.
O que é uma lesão muscular grau 2 na panturrilha
Uma lesão muscular grau 2 na panturrilha é uma ruptura parcial das fibras musculares, mais séria que uma simples distensão (grau 1), mas sem romper o músculo completamente (grau 3). Parte das fibras se rompe, geralmente na junção entre o músculo e o tendão. Há sangramento interno, formando um hematoma local, e o músculo perde força e função temporariamente.
- Sintomas típicos Dor aguda no momento da lesão, inchaço e roxo na região, dificuldade para andar ou ficar na ponta do pé, e sensibilidade intensa ao toque.
Tempo de recuperação Em geral de 3 a 6 semanas, dependendo da extensão do rompimento, da idade, do condicionamento físico e do tratamento seguido.
- Tratamento Nas primeiras 48 horas: gelo, repouso, elevação da perna e compressão (protocolo PRICE). Depois, fisioterapia com fortalecimento progressivo. Em alguns casos, uso de bota ou muleta nas primeiras semanas.
- Risco de retorno precoce Voltar à atividade antes da cicatrização completa aumenta muito o risco de re-lesão ou de evoluir para um grau 3, que pode exigir cirurgia.
Edema muscular x lesão grau 2
O edema muscular é um acúmulo de líquido no tecido, sem ruptura de fibras. É uma resposta inflamatória, não uma destruição estrutural do músculo. Já na lesão grau 2, parte das fibras se rompe, o que muda completamente o quadro clínico e o tempo de recuperação.
No edema, a dor é difusa e em peso, raramente aparece hematoma e a recuperação costuma levar de 1 a 2 semanas sem necessidade de fisioterapia. Na lesão grau 2, a dor é aguda e localizada, o roxo é frequente por causa do sangramento interno, e a recuperação exige de 3 a 6 semanas com acompanhamento fisioterapêutico.
Na prática clínica, os dois quadros podem aparecer juntos, já que a lesão provoca inflamação e acúmulo de líquido na região. Por isso o diagnóstico preciso exige ultrassom ou ressonância magnética: só o exame de imagem confirma se houve ou não ruptura de fibras.