“Para salvar uma UFPI às escuras”: alunos pedem ações que reduzam violência na instituição

Durante reunião com a Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e o Sec. de Segurança Chico Lucas, estudante da UFPI entregou um documento reivindicando medidas de combate à violência contra mulher na instituição

17/02/2023 15:49h

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A morte da jovem estudante de jornalismo Janaína Bezerra dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI) trouxe à tona um problema estrutural que há muito tempo vem sendo debatido dentro da instituição: a falta de segurança e o machismo. Brutalmente estuprada e assassinada dentro do campus há 21 dias, o caso da Janaína causou revolta em todo o Brasil e levou estudantes da UFPI a reivindicarem ações para redução da violência contra as mulheres na universidade. 

Pensando nisso, na manhã de hoje (17), durante encontro que contou a presença da Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e do Secretário de Segurança do Estado, Chico Lucas, a estudante e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Tatiane Seixas, entregou ao secretário um documento intitulado “Para salvar uma UFPI às escuras”, que demanda maior segurança e proteção às mulheres dentro da instituição, bem como a promoção de debates acerca do feminicídio e a cultura do estrupo. 

Tatiane Seixas, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, entregou documentação solicitando medidas de segurança às mulheres (Foto: André dos Santos/ODIA)

“A questão da falta de segurança na universidade não é algo novo, na verdade, os relatos de ataques a mulheres, furtos, assaltos são muitos e de décadas [...] E nesse contexto de salas de aulas sequestradas, carros furtados, bicicletas levadas, há um recorte de violência que incide mais pesadamente sobre as mulheres. Porque, além dessa violência cometida por agentes externos à comunidade acadêmica, há a violência perpetrada pela instituição e seus integrantes”, diz o documento. 

Segundo Tatiane Seixas, é importante que existam protocolos uniformizados para enfrentar a violência contra as mulheres dentro das universidades, uma vez que, mesmo em meio ao ambiente universitário, estudantes sofrem com assedio sexual, abuso de poder por parte de professores (em sua maioria homens) e outros tipos de violência. “Um dos pontos que está sendo debatida é a necessidade de existir um protocolo de comportamento uniformizado de como enfrentar a violência sexista dentro das universidades. As mulheres estudantes encontram na universidade um ambiente hostil, como professores assediadores que insinuam favores sexuais. É preciso ter um protocolo uniformizado para que esse tipo de denúncia aconteça e aquele agressor seja punido e não volte para a sala de aula”, explica a estudante. 

Caso Janaína levou estudantes à reivindicam ações de combate à violência contra a mulher dentro do campus (Foto:Pedro Cardoso/ODIATV)

Outras questões ressaltadas pelo documento e que devem ser levadas em consideração pelo Governo Estadual, Federal e pela própria UFPI, diz respeito à a necessidade de um espaço físico para acolhimento e denúncia de casos de violência dentro da instituição; ampliação e qualificação permanente das equipes que atendem mulheres vítimas de violência, bem como aumento da quantidade de viaturas da Lei Maria da Penha e elaboração de protocolos para atendimento de pessoas vítimas de violência dentro do ambiente acadêmico, com medidas eficientes contra os agressores e agressoras independente da função ou cargo.

A presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher acrescenta ainda que a violência contra a mulher é um problema causado pelos homens e que estes devem buscar entender o que é machismo e tratar suas questões de trauma. “A violência contra a mulher não é um problema das mulheres, nós sobrevivemos a ela. Este é um problema dos homens e eles devem procurar terapia, resolvendo seus problemas de agressividade, traumas familiares e de infância. É preciso que nossa sociedade assuma que a violência contra a mulher é real, existe e mata”, frisa Tatiane Seixas. 

A documentação foi assinada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFPI), pela União Brasileira de Mulheres (PI), pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Piauí (SindJor-PI) e outras entidades. Na ocasião, o documento foi recebido por Chico Lucas e pela ministra Cida Gonçalves, que revelou que o Governo Federal está trabalhando para a implantação de um protocolo de defesa das estudantes em Universidades Federais nacionais. 

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