Caneleiro e jandaia saúdam Teresina por seus 168 anos

Conheça a história e as curiosidades dos principais símbolos que representam a capital piauiense.

16/08/2020 15:11h

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Dentre estas e muitas outras famílias de vegetais que fazem “a festa de nossos olhos”, em território piauiense, em especial, na capital Teresina, está o caneleiro (Cenostigma macrophyllum Tul), vegetal Angiosperma pertencente à ordem Fabaceae e da família Leguminosae. Presente em outros rincões, a exemplo da mata pluvial amazônica de terra firme (Estados do Pará e Rondônia), de cerrados e cerradões, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia, também está no Ceará, em Goiás e no Maranhão. Como natural, recebe denominações diferentes em cada Estado. Se aqui o chamamos de caneleiro ou caneleira ou ainda de canela-de-velho ou canela, no MA é maraximbé; no CE ganha a alcunha de canela-de-veado; em GO, é fava- do-campo.

Ao que se sabe, o primeiro registro da espécie brasileira ocorreu no MT, num tempo que se faz longínquo, ou seja, há mais de 150 anos. Quase meio século depois, o botânico inglês George Bentham, reconhecido consensualmente como o maior sistemata do século XIX, em colaboração com Carl Friedrich Philipp von Martius, na publicação “Flora brasiliensis”, descreve a espécie e assinala sua existência no PI. Trata-se de obra renomada do século XX, elaborada entre 1840 e 1906 sob a coordenação de naturalistas alemães e austríacos, contando 10.367 páginas.

Foto: Reprodução/EfloPI

Porém, somente em 1993, o biólogo Maurício Teles, à época, docente da Universidade Federal do Piauí (UFPI), dá início a estudos botânicos e sistemáticos do caneleiro no Estado e identifica os espécimes pesquisados como uma nova variedade. Assim, muitos piauienses ou “piauizeiros” (os que habitam no Estado e o amam) conhecem o caneleiro, sobretudo, por sua beleza. Com altura que varia de seis a 20 metros, possui copa alongada e tronco repleto de pequenas “canelas”.

Resistente ao fogo, germina e rebrota com facilidade. Com caule bastante sulcado, em arranjo singular, suas flores em amarelo-ouro estão dispostas, com frequência, de forma que: “suas pétalas de coloração amarelada formam belíssimas flores reunidas arquitetonicamente em inflorescências piramidais ou cilíndricas, estriadas com máculas purpúreas que lembram uma flor de orquídea” (TERESINA, 2009). Sua floração ocorre num período relativamente longo, indo de junho a fevereiro, o que favorece sua utilização como planta ornamental nas avenidas e ruas da “Cidade Verde”, a qual, é também conhecida como “Chapada do Corisco”, porque é a terceira cidade do mundo onde mais correm sequências de descargas elétricas.

Além da beleza do caneleiro, o poder do chá de sua casca para amenizar a cólica se torna referência popular em franca expansão. Isto ainda requer comprovação. Afinal, o ponto de partida da ciência é sempre o senso comum para construir conhecimentos consistentes e com maior grau de confiabilidade.

A ave símbolo da Capital

Foto: Reprodução Aves e Cia

O Decreto municipal nº 2.407 também reconhece a jandaia-do-sol ou jandaia-sol como ave símbolo da capital do Piauí. Da família dos psitacídeos, seu nome científico é Aratinga solstitialis, embora também seja conhecida por vários outros nomes, tais como cacaué, nandaia, nhandaia, queci-queci, quijuba e jandaia-amarela. A jandaia retoma o lindo amarelo das flores do caneleiro. Na fase adulta, com sua plumagem brilhante, ostenta o topo da cabeça em amarelo cor de, enquanto as penas laterais da cabeça e a barriga tendem para um laranja forte. A cauda é verde-oliva com uma linda ponta contrastante em azul. De baixo, todas as penas de voo são cinza escuro, em harmonia com o bico preto. Por fim, são esses símbolos que, hoje, 16 de agosto de 2020, saúdam Teresina aos 168 anos, cidade-criança-adolescente que canta em sintonia com o gorjeio da jandaia-do-sol na sombra dos caneleiros imponentes e em flor.


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Fonte: Maria das Graças Targino

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