Ciclistas reclamam da falta de ciclovias que somam apenas 40 km

Malha cicloviária não é suficiente para atender demanda e ciclistas se arriscam ao disputar espaço com automóveis

12/03/2016 08:53h - Atualizado em 12/03/2016 09:00h

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Quem utiliza bicicleta para trabalhar, ir para a escola ou para qualquer outro destino, precisa aprender a conviver e disputar espaço com os veículos, que muitas vezes acabam desrespeitando esses usuários. Teresina possui, atualmente, pouco mais de 40 km de malha cicloviária, o que não é suficiente para atender a demanda de ciclistas. 

O universitário Francisco Carlos Resende utiliza a bicicleta todos os dias para se deslocar de sua residência à universidade. Ele conta que sai de casa no início da manhã e só retorna no começo da noite. Durante o percurso, o estudante relata que é comum os motoristas de carro ou motocicleta não respeitarem os ciclistas. 

“Eu e outras pessoas que usam bicicleta sempre ficamos bem perto do meio fio, mas, mesmo assim, os carros ainda passam bem colados da gente, quase derrubando e até batendo mesmo. Temos que ficar atentos, porque senão corre o risco de sermos atropelados e o motorista ainda nem prestar socorro”, disse. 

(Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Ainda de acordo com o estudante, há poucos locais destinados para os ciclistas e os que existem estão sem sinalização, com a pintura desgastada ou ainda não oferecem condições de uso. Isso porque, segundo Francisco Carlos Resende, há muita sujeira acumulada nos percursos e até buracos. 

“Os poucos lugares que têm ciclofaixa é até bom, porque a gente se sente um pouco mais seguro, por saber que os motoristas devem respeitar aquele espaço. Mas têm alguns lugares, principalmente os que ficam nos canteiros centrais de algumas avenidas, que têm galho de árvore no meio, muita terra, buraco, pneus e outras coisas. Aí para conseguir atravessar a gente precisa ir para a avenida, ou seja, não adianta nada, porque vamos ter que andar ao lado dos carros”, descreve.

Plano Diretor prevê ampliação 

Segundo a secretária executiva de Planejamento Urbano da Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan), Constance Jacob, o Plano Diretor de Ciclovias de Teresina já foi concluído e apresentado à Câmara Municipal de Teresina, no intuito de tornar a cidade ciclável. No projeto, estão previstas propostas de educação no trânsito, envolvendo escolas, além da ampliação da malha cicloviária já existente. 

“Hoje nós temos 40 km de ciclovias, só que não estão conectadas entre si, então isso é um problema, porque em um determinado momento interrompe aquela ciclovia e o ciclista está sujeito a disputar espaço com os carros. Nós temos, nesse primeiro momento, que integrar esses 40 km e, para isso, precisaremos de mais de 22 km, ficando com 62 km, além de requalificar, pois algumas [ciclovias] têm buracos, outras inundam, outras precisarão mudar de lugar, saindo do canteiro central e indo para a lateral da via, entre outras ações”, disse. 

Constance Jacob acrescenta ainda que a proposta do plano é ampliar, em cinco anos, a malha cicloviária para 200 km. A secretária executiva pontua também que este projeto faz parte do plano da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que visa priorizar os não motorizados, assim como a Lei de Calçada, e que a intenção é fazer com que este serviço cicloviário seja coerente com as pessoas que se interessam em utilizar esse transporte. 

Para tanto, algumas vias passarão por adequações e requalificações, como a da Avenida Miguel Rosa, na zona Sul de Teresina. Dentro do projeto também foi feito um orçamento de quanto será investido para ampliação do serviço da malha viária, e cada quilômetro custará, em média, R$ 125 mil.

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Por: Isabela Lopes - Jornal O DIA

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