Atualização às 17h50
A professora Lucineide Barros, diretora da Adcesp, afirmou que os servidores grevistas do movimento #SOSUespi vão apresentar uma nova proposta ao Governo Wellington Dias (PT) na manhã desta quinta-feira, no Palácio de Karnak.

Lucineide Barros, diretora de assuntos acadêmicos da Adcesp (Foto: Elias Fontinele / O DIA)
"Em relação a promoções e progressões, que o Governo se propõe a pagar em junho e agosto, nós sugerimos que se pague imediatamente. O Governo não reconhece os retroativos, mas nós exigimos seu pagamento, mesmo que de forma parcelada. Quanto ao reajuste salarial, nós pedimos um índice de 25% para os professores e de 33,36% para os técnicos. Estamos também propondo outras coisas, como, por exemplo, o lançamento do edital de um novo concurso ainda no primeiro semestre deste ano, para que a contratação seja feita em 2017. Outro ponto da nossa contraproposta é de chamamento imediato dos aprovados no último concurso que ainda estão na lista para serem chamados, que são mais de 30 pessoas", destaca Lucineide.
Os docentes ressaltam que o último reajuste da categoria foi dado pelo Governo ainda no ano de 2013, e pago de forma escalonada nos anos seguintes.

Estudantes que ocuparam o Plenarinho da Assembleia denunciaram que a Polícia Militar impediu que eles recebessem água e comida (Foto: Elias Fontinele / O DIA)
Outro ponto de divergência entre o Executivo e os servidores diz respeito à lei que vai alterar o Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos técnicos da Uespi. Enquanto o Governo quer enviar a proposta à Assembleia apenas no próximo ano, os trabalhadores exigem que isso seja feito imediatamente.
Notícia original
Em assembleia durante a manhã de hoje (18), professores e técnicos decidiram recusar a proposta feita pelo Governo na semana passada e manter a greve na Uespi. Junto com um grupo de estudantes, os trabalhadores ocupam o plenarinho da Assembleia Legislativa, onde elaboram uma contraproposta para ser apresentada ao governador Wellington Dias. A informação é da diretora de assuntos financeiros da Associação dos Docentes da Uespi, professora Janete Brito.
Por volta das 14 horas, os policiais da Alepi impediram a entrada de comida e água, que seria entregue aos manifestantes.
Inicialmente, a reportagem foi informada que os professores e estudantes já haviam deixado o prédio do Legislativo, mas essa informação foi corrigida. Na realidade, ainda há manifestantes no Plenarinho da Alepi. O sistema de refrigeração também foi desligado, para forçar os manifestantes a deixarem o local.
Ela explica que a proposta apresentada pelo Governo não deixa claro itens como a manutenção da progressão de carreira dos profissionais, além de não mencionar o pagamento dos retroativos. “O que nos foi oferecido foi parcelar o pagamento da progressão dos técnicos em duas vezes, e não há qualquer menção sobre o retroativo dos professores, nem sobre a continuidade dessa progressão, ou seja, não temos a garantia de que o nosso direito será cumprido nos anos seguintes, sem que a gente precise parar”, resume a professora.

Alunos, professores e técnicos da Uespi ocupam o Plenarinho da Assembleia para elaborar contraproposta ao Governo
A contraproposta que os trabalhadores e estudantes querem apresentar ao governo pede o pagamento imediato das progressões dos docentes e técnicos, a garantia de que essas progressões vão continuar nos próximos anos, e a abertura de uma mesa de discussão sobre a campanha salarial dos profissionais. De acordo com a ADECESPI, o último reajuste que a categoria recebeu foi em 2013, parcelado em seis vezes pelo Governo, com pagamento previsto para 2014, 2015 e 2016. Durante esse período, a defasagem salarial dos trabalhadores já chegou 25%. Os professores exigem do Governo o pagamento desta porcentagem sem parcelamentos.
A contraproposta está sendo redigida pelos trabalhadores e estudantes e deve ser entregue ao Governo nos próximos dias. Até que haja retorno por parte dos gestores, a ADECESPI afirma que a greve continua.
Outras categorias ainda não acordaram
A professora Janete Brito lamenta que outras categorias de servidores públicos estaduais ainda não tenham despertado para o "enorme retrocesso" provocado pela Lei 6.772/2016, a chamada Lei do Enquadramento.
Conforme o artigo 4 da referida lei, o governador pode extinguir cargos por decreto.
A Adcesp também denuncia que as progressões e promoções no serviço público estão impedidas pelo Governo do Estado desde julho do ano passado. Segundo a entidade, há casos de professores que foram nomeados para dedicação exclusiva, tiveram que largar outros empregos, mas desde o ano passado continuam recebendo salários por 20 horas semanais, quando o correto seria receber pela dedicação exclusiva.
Cerca de 170 pessoas estão aguardando promoções e progressões, que já foram publicadas no Diário Oficial mas até hoje não foram implementadas.
Por: Maria Clara Estrêla e CÃcero Portela