Professora em formação percorre 3 km de bicicleta para preparar aulas remotas

Sem acesso à internet, estagiária de Pedagogia da rede municipal precisa ir até a casa da amiga para gravar as aulas e interagir com seus alunos.

15/10/2020 07:15h - Atualizado em 15/10/2020 08:24h

Compartilhar no

“São bairros distantes. Como saio cedo e retorno à noite para a casa, utilizo a bicicleta. A internet quando estou em casa é com dados móveis. Mas [quando retorno para casa] é com tudo pronto, pois preparei na casa da tia Iracema Carvalho”. Este relato é sobre a nova realidade da professora em formação Luzivane Clemente, de 21 anos, que leciona no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Thereza Christina, em Teresina, e mora na cidade de Altos.

A vida de Luzivane mudou completamente com a pandemia. Antes, ela viajava 38 km por dia, de Teresina a Altos, para dar aula a seus pequenos. Agora, ela necessita percorrer 3 km de bicicleta até a casa da amiga e professora Iracema Carvalho, para poder gravar as aulas e interagir com seus alunos.


“Como sou lotada com 30 horas semanais, trabalhava 6 horas diárias no turno da tarde, entrando 11h e encerrando 17h. Como eu sou de Altos e dependo do meio de transporte, pegava o ônibus às 9h40, chegando lá [na Cmei] antes das 11h e o retorno era sempre dificultoso, pois pegava o ônibus no horário das 18h e chegava em casa depois da 19h devido o ‘para-para’ dos ônibus”, descreve Luzivane.


Luzivane diz que o amor por ensinar e o sonho de ser professora é maior que qualquer desafio - Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, para preparar os conteúdos remotos, a professora em formação sai de casa pela manhã, por volta das 7h, e retorna à noite, às 19h. Essa rotina ocorre três vezes na semana, quando são gravadas seis aulas. “As minhas crianças recebem vídeos-aulas com muito entusiasmo e temos o momento do recreio, que fazemos a chamada de vídeo para conversar um pouco sobre a aula do momento”, explica.

Luzivane conta que não possui condições de comprar um aparelho celular moderno, pois vem de família simples, da roça, e ainda está cursando o 7º período de Pedagogia em uma faculdade particular da cidade onde mora. Todavia, o amor por ensinar e o sonho de ser professora é maior que qualquer desafio.


“Como estou há mais de um ano trabalhando no Cmei, é um grande aprendizado que venho adquirindo, faço plano de aula, preencho fichas com a maior facilidade. As crianças mandam fotos, vídeos, e eu fico muito feliz. [Além disso], as famílias me procuram e dizem o que acontece na rotina dos estudantes”, detalha.


Luzivane e Iracema se veem três dias por semana para preparar os conteúdos escolares - Foto: Arquivo Pessoal

No entanto, para Luzivane, nada substitui as aulas presenciais, quando é possível sentir e estar em contato físico e humanizado com as crianças. Mas a tecnologia está auxiliando no aprendizado.

“Gostaria muito de estar em sala de aula. Meu ciclo de dois anos de estágio encerra no final do ano e meu maior desejo pós-pandemia é continuar ativa na sala de aula, trabalhando na educação infantil, pois sou apaixonada pela educação de Teresina", relata Luzivane Clemente.

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!

Compartilhar no
Por: Sandy Swamy

Deixe seu comentário