Cinco pessoas ainda estão foragidas acusadas de participar do esquema de cartel desbaratado pela Operação Escamoteamento . Entre elas, está Joaquim Viana de Arruda Neves, apontado como o principal sacador de dinheiro, enquanto os irmãos Rodrigo Fortuna de Araújo e Carlos Kenede Fortuna de Aráujo são considerados dois dos principais operadores da quadrilha.
“É uma quadrilha muito organizada, um cartel aperfeiçoado, e não vimos outra forma além de realizar prisão preventiva dos envolvidos, a fim de que sessasse essa sangria dos recursos públicos”, disse o promotor Sinobilino Pinheiro. Os foragidos são: Francisco Zerbini Dourado, Joaquim Viana de Arruda Neves, Rodrigo Fortuna de Araújo, José Dias Monteiro e Leandro Gomes Batista.
Já foram presos: Ana Carolina Portela Silva, Carlos Kenede Fortuna de Aráujo, Denis Fontenele dos Santos, Fernando Cícero Moreira Fernandes, Francisco Alílio Gomes Mendes, Jansem Nunes, Lucas Menezes de Oliveira e Wladis Bezerra Jerônimo.

Força tarefa composta por Gaeco, PRF, TCU, TCE e CGU apresentam resultados da operação (Foto: Cícero Portela/ O Dia)
A quadrilha presa pela Operação Escamoteamento desviou um total de R$ 18 milhões da cidade de Cocal dos Alves. O grupo ainda tinha atuação em diversos municípios do Piauí, Maranhão e Ceará. Segundo o promotor Sinobilino, todas as empresas envolvidas no esquema ainda são contratadas da prefeitura de Cocal dos Alves.
Até o momento, cerca de R$ 37 mil foram recuperados. Foram bloqueadas contas bancárias e imóveis de todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas no crime. “uma vez responsabilizados, teremos como trazer [os recursos] de volta aos cofres públicos do município de Cocal”, disse o promotor Sinobilino.

De acordo com o promotor Rômulo Cordão, do Gaeco, A investigação identificou ainda depósitos de dinheiro feitos pelas empresas envolvidas diretamente na conta de servidores públicos. Para ele, a situação é indício forte de envolvimento, mas ainda não suficiente para pedir a prisão dos servidores. “Em tese, é um forte indício, tanto que eles foram conduzidos coercitivamente. Mas isso ainda será aprofundado, porque a gente trabalha com muita responsabilidade e muita cautela. Sendo necessário, vai haver novas prisões."
Por outro lado, o promotor afirma que o esquema seria possível mesmo sem a participação de servidores da prefeitura, já que as empresas poderiam operar o cartel e escolher entre si quem venceria as licitações.
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira, na sede do Gaeco, os promotores expuseram gráficos com detalhes de como atuavam os integrantes de cada um dos grupos da quadrilha.
Foi exposta também uma fotografia, postada numa rede social, em que vários sócios de algumas das empresas envolvidas aparecem confraternizando, durante uma festa, o que também foi considerado um indício da existência do cartel entre os empresários. "Em cada licitação, as empresas combinavam uma vencedora e as que perdiam recebiam uma quantia em dinheiro como compensação", detalha Rômulo Cordão.
O esquemaO grupo criminoso atuava da seguinte maneira: concorriam a processos licitatórios com empresas de fachada ou que não tinham nenhuma estrutura adequada para concorrer ao certame.
A quadrilha, então, usava laranjas ou terceirizações para receber quantias vultuosas. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), estima que o grupo tenha conseguido movimentar cerca de R$ 200 milhões nos municípios onde o cartel atuava.
De acordo com o promotor Sinobilino, há a suspeita de que em muitos casos, além da fraude nas licitações, os serviços contratados pelo poder público sequer eram realizados pelas empresas vencedoras. "Nesse momento, estamos passando a investigar isso, mas há indícios fortes de que esses serviços efetivamente não eram realizados e que a própria Prefeitura Municipal eram que realizava", detalha o membro do MP-PI.
"A investigação constatou que passaram valores muito altos pelas contas bancárias dessas empresas, que teriam como sócios pessoas de pouca idade, a exemplo da sócio-proprietária da Premium, que teria somente 25 anos, abriu uma empresa em 2015 e já teria recebido cerca de R$ 2 milhões da Prefeitura de Cocal", acrescenta Sinobilino.
Por: Andrê Nascimento, com informações de CÃcero Portela