Jovens foram mortas em Timon por fazerem ‘brincadeira’ com sinais de facções nas redes

Segundo a investigação, Joyce Ellen e Maria Eduarda postaram imagens fazendo alusões a facções rivais na internet sem sequer integrarem os grupos criminosos.

21/07/2021 10:28h - Atualizado em 21/07/2021 10:55h

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As duas adolescentes que foram torturadas e ainda tiveram que cavar as próprias covas antes de serem assassinadas em Timon – crime ocorrido no dia 21 de março deste ano – foram mortas porque usaram as redes sociais para fazer uma ‘brincadeira’ com o símbolo de facções criminosas rivais sem sequer fazerem parte delas ou ter qualquer envolvimento com o mundo do crime.

Foi isso o que concluiu o inquérito policial presidido pela Delegacia de Homicídios de Timon. Joyce Ellen e Maria Eduarda foram sequestradas em Teresina e levadas para a cidade vizinha, onde foram assassinadas e enterradas em covas rasas. De acordo com o delegado Antônio Valente, o crime foi praticado pelo quadro feminino de uma facção de origem maranhense, mas que já atua em diversos estados brasileiros.


Foto: Divulgação/Polícia Civil

“Nenhuma das vítimas era faccionada. Uma delas, a Joyce, residia na área da organização rival e postava fotos fazendo menção apenas por brincadeira. Já a Maria Eduarda residia na área da facção que as matou e fazia fotos para as redes com símbolos deste grupo sem ao menos fazer parte dele. Isso despertou a ira dos reais integrantes da quadrilha. A Eduarda chegou a morar com uma das acusadas do crime e essa mulher cismou que a menina estava levando informações para a facção rival. Ela, então, a atraiu até Timon e a matou por conta disso. Pelo menos três integrantes desta facção conheciam a Maria Eduarda lá da Vila da Paz”, explica o delegado.

Os laudos cadavéricos obtidos pela polícia demonstram ainda que as adolescentes foram cruelmente torturadas a ponto de uma delas ter pedido para morrer ou para que a enterrassem viva para não prolongar o sofrimento. “Elas foram mortas com golpes de faca, taco, pá e até com uma picareta e uma delas, sim, foi enterrada ainda viva”, relata Valente.


Delegado Antônio Valente - Foto: Jailson Soares/O Dia

Com a conclusão do inquérito, a polícia indiciou 10 pessoas pelo crime. Seis já foram presos em ocasiões anteriores, sendo que dois foram localizados em outros estados como Pará e Rio Grande do Sul. Outros quatro seguem foragidos. A polícia divulgou os nomes dos que ainda estão sendo procurados. 

Trata-se de Willian de Sousa Teófilo, vulgo Bolinha ou Moana, que reside no Três Andares e na Vila da Paz, em Teresina; Karina Ellen do Carmo Sousa, vulgo Esmeralda, que reside no bairro Mafrense; Johnny Willer Rodrigues de Sousa, vulgo Mentor, que é um dos líderes da organização criminosa e vive em São Luís; e Antônio de Deus Pereira, vulgo Fantasmão, líder da organização no Piauí.

A Polícia Civil disponibiliza o número (99) 98447-1057 para recebimento de denúncias por parte da população que tiver alguma informação sobre os foragidos.

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