Justiça nega pedido de prisão preventiva de acusado da morte de PM

Pedido foi impetrado pelo Ministério Público após Leonardo Ferreira Lima conseguir autorização para mudar seu local de trabalho.

01/02/2018 08:17h - Atualizado em 01/02/2018 09:15h

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O juiz Antônio Reis de Jesus Nolêto, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri do Piauí, negou nesta quarta-feira (31) o pedido de prisão preventiva de Leonardo Ferreira Lima, acusado de ser o mentor da morte do cabo do BOPE Claudemir de Paula Sousa. O pedido foi impetrado pelo promotor de Justiça Régis Marinho no dia 25 de janeiro, após o réu ter sido posto em liberdade e ter conseguido autorização para mudar seu local de trabalho junto à Infraero. 

O representante do MPE alegou que Leonardo possui a intenção de fugir à aplicação da lei, tendo em vista que mudou de endereço, passando a residir em local diferente do informado à Justiça nos autos do processo. O réu teria, portanto, descumprido condições a ele impostas quando da concessão de sua liberdade provisória. No entendimento do promotor de Justiça, a atitude de Leonardo se configura como tentativa de atrapalhar o andamento processual.

No entanto, em sua decisão, o juiz Antônio Nolêto destacou que quando foi concedida a liberdade provisória a Leonardo, não lhe foram impostas medidas cautelares, e que o empregador do acusado, a Infraero, encaminhou à Justiça um ofício informando sobre sua transferência para Campo Grande, comprometendo-se a informar seu endereço residencial tão logo consiga um local para residir. Ainda segundo a decisão, a empresa pública federal comprometeu-se ainda a atender a todos os chamados judiciais ao longo do processo penal.

Por fim, o titular da Vara do Tribunal do Júri constatou que não há nada que indique que Leonardo Ferreira esteja ameaçando a ordem pública, prejudicando a instrução criminal ou fugindo à aplicação da lei, uma vez que possui profissão definida e vem comparecendo regularmente a todos os atos processuais para os quais é intimado. Pesou ainda na decisão do juiz o fato de o réu não possuir antecedentes criminais.

O processo

Leonardo Ferreira Lima e os outros sete acusados de participação na morte do cabo Claudemir conseguiram liberdade provisória concedida pelo juiz Antônio Nolêto no último dia 09. Oito dias depois, em 17 de janeiro, o réu foi autorizado pela Infraero, empresa para a qual trabalha, a se transferir para o aeroporto de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em seu pedido de transferência, Leonardo alegou risco de vida e necessidade de recomeço.

Junto com ele, também foram postos em liberdade Maria Ocionira Barbosa de Sousa (46 anos), Weslley Marlon Silva (32 anos), Flávio Willame da Silva (30 anos), Francisco Luan de Sena (26 anos), Thaís Monait Neris de Oliveira (25 anos), José Roberto Leal da Silva (49 anos) e Igor Andrade Sousa (20 anos).

O crime

Os acusados estavam presos desde dezembro de 2016, quando do assassinato do cabo Claudemir de Paula Sousa no bairro Saci. O PM foi morto a tiros quando saía de uma academia. De acordo com a acusação do MPE, com base nas provas colhidas pela Polícia Civil, Leonardo Ferreira e Maria Ocionira, "supostos amantes e parceiros de fraudes ao INSS", teriam decidido encomendar a morte do PM Claudemir Sousa porque temiam que a vítima - ao voltar a residir em Teresina - pudesse prejudicar a relação amorosa dos dois, bem como os crimes que praticavam.

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Por: Maria Clara Estrêla

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