A Polícia Militar do Maranhão efetuou, na madrugada desta terça-feira (4), a prisão de pelo menos dez homens suspeitos de participação no assalto à agência do Banco do Brasil em Bacabal (MA), município situado a 271 km de Teresina e a 250 km de São Luís, capital maranhense.
Durante o confronto com a Polícia, outros três suspeitos foram mortos pelos policiais. A invasão e explosão da agência bancária ocorreu há cerca de uma semana, entre a noite de 25 de novembro, um domingo, e a manhã da segunda, 26 de novembro.
Três bandidos já tinham sido mortos na madrugada do assalto, que levou terror à cidade de Bacabal. Para conseguir roubar a agência sem a intervenção da Polícia, a quadrilha também atacou o quartel da Polícia Militar e a delegacia da Polícia Civil da cidade maranhense.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, a quadrilha possui conexões internacionais, e um dos seus líderes - identificado como "Zezé de Lessa" - estaria foragido em outro país da América Latina.
Entre os mortos está Adeilson Nunes, que seria irmão de Zezé e o "organizador da quadrilha no Brasil", segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Miler Portela e Silva.
Pelo menos R$ 39 milhões já foram recuperados pelas forças de segurança do Maranhão desde a data do roubo. Nesta madrugada, os policiais interceptaram uma carreta que estava carregada com vários sacos de dinheiro. Alguns dos bandidos estavam no baú, em meio ao dinheiro.
Além das prisões, os policiais militares também realizaram, na madrugada desta terça, a apreensão de duas metralhadoras .50, onze fuzis, 17 coletes, além de várias pistolas e cetenas de munições, boa parte delas de grosso calibre.
Todos os criminosos presos serão interrogados ao longo desta terça-feira por delegados que investigam o crime. A intenção da Polícia Civil maranhense é elucidar como cada um participou do assalto ao banco.
Segundo Jefferson Portela, desde a data do assalto, os órgãos de segurança do Maranhão montaram um grande cerco no estado, com o objetivo de impedir a fuga dos criminosos, bem como a saída da grande quantia em dinheiro roubada do banco.
"Foi montado um grande cerco policial, não só nas cidades mais próximas a Bacabal. Nós fizemos um alargamento de perímetro, fazendo uma contenção nas cidades mais distantes, considerando a fuga deles de modo desordenado", detalha Portela.
Portela afirma que o serviço de inteligência da segurança pública maranhense já apurou que a quadrilha que atacou Bacabal seria composta por aproximadamente 70 integrantes.
O secretário afirma que, diante do alto poder de fogo do grupo, a operação desta terça-feira só obteve êxito graças à atuação estratégica dos policiais militares, que conseguiram se antecipar aos bandidos.
'Quadrilhas interestaduais sempre contam com apoio local', afirma secretário
O gestor afirma que, mesmo antes da interceptação realizada pela PM-MA nesta madrugada, a Secretaria de Segurança tinha a convicção de que o montante de dinheiro roubado ainda permanecia em território maranhense.
Em coletiva de imprensa, Jefferson Portela afirmou que, embora a quadrilha tenha membros oriundos de vários estados do país, ela também foi integrada por criminosos que vivem no Maranhão. "Nenhuma quadrilha interestadual vai a um estado sem um apoio local. Sempre há alguém dando a guarida no estado, para guardar o dinheiro por um período e depois se retirar", afirma.
"Continuamos com eficiência de 100% da nossa força policial. Somos o único estado brasileiro a ter 100% de elucidação de roubo a bancos, bem como 100% de prisões em todos os casos. Nenhuma organização aqui no Maranhão escapou da prisão. Em quatro anos, houve uma redução de 84% no número de roubos a bancos no nosso estado. Nesse período, praticamente 300 assaltantes de bancos foram recolhidos ao sistema prisional maranhense, o que representa uma redução do poder de fogo dessas quadrilhas, que beneficia não só nosso estado, mas todo o Brasil", afirma Jefferson Portela.
O secretário também agradeceu a Justiça maranhense por não ter libertado todos esses assaltantes de banco que foram presos nos últimos anos.
"Contamos com a grande ajuda do Poder Judiciário, que tem mantidos presos esses criminosos, cujas condutas possuem alta lesividade social. Eles não dão prejuízo somente aos bancos. Nós temos que lembrar. Eles chegam com alto poder de fogo e atiram sem compromisso. Atiram irresponsavelmente, e às vezes fazem vítimas de propósito, para a Polícia ter que socorrer as vítimas e não iniciarem a perseguição a eles. Socialmente, eles não têm compromisso com nada, não têm compromisso com a vida de ninguém", avalia o gestor.
Portela ainda agradeceu o empenho das Polícias e destacou que os crimes de roubo a bancos continuarão sendo fortemente combatidos pelos órgãos de segurança do Maranhão.
"Não podemos assistir eles matarem, como matam em outros estados, e depois voltar pra matar de novo. Aqui tem governo", conclui.
Por: CÃcero Portela