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Pais do menino Eduardo pedem justiça ao desembarcar em Teresina

Pais do garoto morto no Complexo do Alemão foram para o Rio de Janeiro há 16 anos, em busca de melhores oportunidades de emprego.

05/04/2015 19:37

Os pais do menino Eduardo de Jesus Ferreira, morto na última quinta-feira por um policial militar no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, desembarcaram às 18h50 no Aeroporto Petrônio Portella, em Teresina, juntamente com outros familiares, após sete horas de viagem.

Ainda bastante abalados, José Maria e Teresinha de Jesus descreveram o momento em que o filho foi assassinado, e disseram que o PM que teria disparado contra a criança ainda chegou a apontar a arma para a mãe, depois que ela questionou o porquê de ele ter matado seu filho.

Os pais do menino Eduardo, Teresinha de Jesus e José Maria, desembarcam no Aeroporto Petrônio Portella (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)

"Eu estava assistindo televisão com meu filho - ele no quarto e eu na sala. Ele ouviu a voz da minha filha, que estava chegando do trabalho e passou na casa da vizinha, e ficou na escada para esperar a irmã. Em questão de dez segundos eu ouvi aquele estouro e o grito dele - 'mãe!'. Aí eu corri pra fora e vi meu filho naquela situação. Eu fiquei desesperada. Os policiais estavam enfileirados e o primeiro que vi eu corri pra agredir. Eu disse pra ele: 'Você matou meu filho'. E ele respondeu: 'Assim como matei o filho, posso matar a mãe'. E eu disse: 'Pode me matar, desgraçado'. Foi quando os outros policiais retiraram ele, mas ele chegou a apontar a arma para a minha cabeça", relata Teresina de Jesus.


No desembarque na capital piauiense, os pais de Eduardo também disseram que, por conta da tragédia, não pretendem mais morar no Rio de Janeiro. "Fomos para o Rio ter uma vida melhor, porque em Corrente não tínhamos um emprego onde pudéssemos ganhar um pouco mais. Então, fomos em busca de uma vida melhor lá, mas infelizmente eu perdi meu filho", lamentou Teresinha de Jesus.

Bastante consternada, mãe do menino Eduardo concedeu entrevista à imprensa assim que desembarcou no Aeroporto Petrônio Portella, na noite deste domingo (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)

José Maria refutou de forma veemente a informação repassada por alguns PMs de que o menino, de apenas dez anos, teria envolvimento com o crime. "Ele era um anjo de filho. Era um filho de ouro, inteligente, prestativo para a família, nunca ficou de bobeira na rua, muito menos se envolveu com coisas erradas. E eu só tenho dele lembranças boas. Não admito que tentem condenar meu filho, e quem inventou esse boato também vai ter que pagar", revolta-se José Maria.

"Pode até ter bandido no morro onde eu moro, na comunidade. Mas eu virei alvo foi da polícia. Nunca fui alvo de bandido. Na PM [carioca] é todo mundo destreinado, todo mundo com arma pesada, sem saber conduzir, sai atirando em quem vê na frente. É uma coisa terrível", afirma o pai de Eduardo.


A família de Eduardo de Jesus teve as passagens de avião - do Rio a Teresina - pagas pelo Governo do Rio de Janeiro. A hospedagem num hotel da capital, na noite deste domingo, foi financiada pelo Governo do Piauí, que também vai fornecer a aeronave em que o corpo do garoto será levado até o município de Corrente - distante 877 km da capital.

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