Prefeito contesta versão da polícia e diz que ambulância foi leiloada

Polícia agora vai investigar se o valor adquirido com a venda da ambulância no leilão, realmente chegou às contas da prefeitura

15/12/2017 10:24h - Atualizado em 15/12/2017 11:16h

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O prefeito de Bertolínia, Luciano Fonseca (PT), contestou a informação dada pela Polícia Civil de que teria vendido a ambulância da Secretaria Municipal de Saúde a um proprietário rural de Landri Sales para pagamento de dívida pessoal. Luciano informou que o veículo já não servia mais à Prefeitura, por estar sucateada, e foi posta em leilão, tendo sido arrematada pelo dono da propriedade na qual foi encontrada.

O prefeito afirmou à reportagem do Portal O DIA que está de posse de todos os documentos que comprovam sua declaração, incluindo o ato de chamada para o leilão público e o contrato de venda firmado com o comprador da ambulância.

De acordo com os documentos, a chamada para o leilão data de 25 de julho de 2015 e foi marcado para acontecer em 10 de agosto do mesmo ano. Na chamada, a Prefeitura informa que estará leiloando bens públicos inservíveis e que mais informações poderiam ser encontradas na cópia do edital, disponível na sede da Prefeitura de Bertolínia. O leilão também foi anunciado no site do Tribunal de Contas do Estado.

O contrato de compra e venda da ambulância foi celebrado entre a Prefeitura Municipal e o senhor Jorge Nolasco Castro, no dia 08 de outubro de 2015. Jorge é o proprietário da Fazenda São Jorge, no município de Landri Sales, onde o veículo foi encontrado. No termo de contrato, a ambulância é descrita como um modelo Ford 250 de 2003, cor branca e placa LWB-4092. O valor mínimo para lance do veículo no leilão era de R$ 30 mil.

Ainda segundo o contrato de compra e venda, a ambulância apresentava estado de conservação razoável, com problemas mecânicos, documentação parcialmente atualizada e com o DPVAT 2015 ainda a pagar. O veículo seria entregue ao comprador assim que comprovado o pagamento do lance.

Luciano Azevedo afirma, portanto, que as informações de que teria vendido a ambulância para quitar dívidas pessoais não são verídicas. “A ambulância simplesmente não servia mais e em lugar de mandar restaurar, optei por fazer o leilão e adquirir outro veículo em seu lugar”, afirma. O prefeito declarou ainda que se encontra à disposição da polícia para prestar todo e qualquer esclarecimento.

Procurado pelo Portal O Dia para comentar as declarações do prefeito, o delegado Everton Ferrer limitou-se a dizer que se Luciano Fonseca tiver todos os documentos que comprovem que a entrega da ambulância foi lícita, ele terá que apresentá-los quando lhe for solicitado. O prefeito ainda não foi oficialmente intimado pela polícia para prestar esclarecimentos. No momento, a Delegacia Regional de Uruçuí busca ouvir João Nolasco, dono do terreno onde o veículo foi encontrado.

“A gente respeita a versão do prefeito, mas há um choque entre o que nós ouvimos do filho do proprietário e o que estamos ouvindo dele agora. Ele vai ser formalmente ouvido, aí sim vai poder dar as informações formais e apresentar o ato de lance do leilão. No momento estamos fazendo a remoção da ambulância para Bertolínia e se for comprovado que há ilícitos no processo, o veículo terá que ser devolvido à Prefeitura”, finaliza o delegado.

A polícia agora vai investigar se o valor adquirido com a venda da ambulância no leilão, realmente chegou às contas da prefeitura.

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Por: Maria Clara Estrêla

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