Em entrevista exclusiva ao jornalista Lívio Galeno, no telejornal O Dia News, da O Dia TV (Canal 23.1) filiada à Rede TV, o governador Wellington Dias (PT) falou sobre os aprendizados trazidos no primeiro ano de combate a pandemia do novo coronavírus no Piauí.
Segundo o governador, o cenário para o ano de 2020 era bem favorável. Era hora de colher os frutos dos investimentos que vinham sendo realizados desde o ano de 2018.

Foto: Reprodução/ODIA TV
“Nós estávamos fechando 2019, um ano muito tumultuado e muito difícil. Havíamos acabado de criar o Consórcio Nordeste. Tínhamos chegado de uma viagem ao interior, uma viagem bem sucedida que resultou, ainda em fevereiro, em agendas no Piauí com representantes da Alemanha, Espanha e Itália com sinalização de investimentos para o Piauí. Um encontro de empresário da Alemanha foi programado para Natal. Então o momento era muito especial”, relembra.
Assim como todo piauiense, o governador também guarda lembrança das primeiras notícias que recebeu da pandemia. Segundo o gestor, a primeira lembrança que tem é a de uma reunião com os médicos José Noronha e Carlos Henrique.
“Um dia o Dr. José Noronha pediu uma agenda comigo. E ele falava de um vírus que já estava, naquela época, na China. Um vírus que tinha uma capacidade de transmissibilidade muito elevada, enquanto eu estranhamente falava sobre desenvolvimento ele chega e disse: ‘eu recomendo criar um comitê emergencial que pudesse estar acompanhando de perto a situação, para tivéssemos as condições de ter um plano estratégico’. Eu fiquei preocupado. Eu tinha acabado de fazer uma viagem da China e estávamos marcando uma vinda dos chineses, estávamos discutindo a instalação de um escritório na China do Consórcio Nordeste."
O governador explicou ainda que guarda uma lembrança especial do dia 29 de fevereiro de 2020. “Tenho na lembrança que fevereiro de 2020 teve 29 dias, e foi no dia 29 que trabalhamos e instalamos esse comitê recomendado por esses dois médicos. Logo em seguida entra março e, pronto, já se começa a falar que o primeiro caso havia sido detectado no país. A partir daí foi crescendo. Poucos dias depois o primeiro piauiense é infectado, vindo de São Paulo e outros do Ceará. Tudo aconteceu numa velocidade muito grande. Em seguida tivemos o primeiro óbito, a partir daí adotamos as primeiras medidas."
O governador sentiu medo
“Senti muito medo. O que se dizia era que a doença era uma roleta russa. Para uns o coronavírus era assintomático – veja o que aconteceu comigo - , para outros ele era muito forte. E cito aqui a minha esposa, a deputada Rejane, que ainda hoje possui sequelas e tem que cuidar do pulmão. Para outros, infelizmente, é letal. Eu tive pessoas na minha família e outras muito próximas que perderam a vida."
As medidas restritivas e o impacto na economia
Dias comentou ainda sobre as medidas restritivas e o impacto delas sobre a economia. “Eu, que tinha um pouco mais de informações, experimentava dificuldade para entender essas medidas. Por isso entendi a dificuldade das pessoas que começaram a reagir contra. Então nunca foi fácil, desde o começo foi muito difícil.”
“Não foi fácil. Eu estou no meu quarto mandato. Sonhei e estava muito confiante entre 2015 e 2018 na atração de novos investimentos. E isso aconteceu, as pessoas às vezes acham que tudo o que acontece é coincidência, mas não. Buscávamos investidores para os setores do comércio, agronegócio, energia eólica, solar, fruticultura, mineração e para Parcerias Público Privadas (PPPs). Naquele momento o Piauí demonstrava uma posição de crescimento. Estávamos saindo de uma seca. O produtor interno bruto estava positivo, o estado gerava empregos. De repente tenho que fazer tudo ao contrário do que vinha pregando. Para tudo. Então, não pense que foi fácil chegar a um acordo sobre o decreto. Às vezes parece que era eu contra o, sei lá, o Valdeci Cavalcente, que insistia em não reconhecer a necessidade da paralisação. Acho que estamos virando o jogo agora, um ano depois."
“Nas primeiras decisões era muito duro colocar minha assinatura num decreto que dizia ‘vamos fechar o comércio, vamos fechar várias atividades’. Estávamos lidando com o desconhecido. Estamos agora fazendo o último período de medidas individuais. Acho que vale a pena esse esforço final. Nós vamos vencer. Eu estou bastante confiante”, completou.
A vacinação
Sobre a vacinação, o governador pontuou que a expectativa do Estado é vacinar todas as pessoas com mais de 60 anos até o mês de abril.
“Até o mês de abril queremos vacinar todas as pessoas com mais de 60 anos. Os profissionais de saúde, albergados e pessoas com deficiência graves. Após isso, vamos vacinar as pessoas com menos de 60 anos portadores de alguma comorbidade. Isso dá mais ou menos 30% da população piauiense. Com isso vamos conseguir reduzir a mortalidade e a hospitalização, porque esses grupos respondem por 70% das internações."
Agradecimento aos profissionais de saúde
Dias também agradeceu o trabalho realizado pelos profissionais de saúde no combate à Covid-19. Ele comentou que a pandemia foi o maior teste para o Sistema Único de Saúde, o SUS.
“Temos que render uma homenagem muito grande ao nosso sistema de saúde. Esse foi o maior teste para o Sistema Único de Saúde. E a nota foi 10. Os profissionais estão desde março do ano passado sem tirar férias, sem tirar um final de semanal. Estão todos os dias, 12 horas por dia, trabalhando. Longe dos filhos. Numa situação dramática. Para todas essas pessoas temos que render homenagens.”
“Nós estamos numa guerra. O inimigo é coronavírus. Mas temos um exército maravilhoso, armado com suas seringas. Só falta a munição, a vacina. Essa será a nossa arma para vencer o coronavírus”, ressalta.
Mensagem
A mensagem final do gestor foi pela vida: “pela sua vida, pela vida da sua família, pela vida de quem você nem conhece. Vamos salvar vida. Vamos seguir os protocolos. É isso que salva vidas”.