Wellington volta a defender controle de portos e aeroportos para contenção da covid

Governador recebeu manifesto da CNBB e mais cinco entidades declarando apoio aos esforços estaduais e municipais no combate à pandemia.

15/03/2021 12:51h

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O governador Wellington Dias (PT) voltou a defender a criação de um pacto nacional para unificar as ações de contenção à covid-19 no Brasil e a cobrar do Governo Federal medidas mais efetivas de controle da circulação de pessoas de modo a evitar a velocidade de disseminação da doença. O apelo foi feito durante a solenidade de recebimento do manifesto O Povo Não Pode Pagar com a Própria Vida, assinado por seis entidades brasileiras declarando apoio aos esforços de governadores e prefeitos no combate à pandemia.

O documento é assinado pela CNBB (Cndeferação Nacional dos Bispos do Brasil), pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), pela Comissão Arns, Academia Brasileira de Ciências, Associação Brasileira de Imprensa e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em pouco mais de uma página, o manifesto tece críticas às ações do Governo Federal na condução do combate à pandemia e destaca que o negacionismo tem matado cada vez mais brasileiros. 


Foto: Reprodução

“Não há tempo a perder, o negacionismo mata. O vírus não será dissipado com obscurantismos, discursos raivosos ou frases ofensivas. A população brasileira necessita de vacina agora. O Brasil precisa urgentemente que o Ministério da Saúde cumpra seu papel”, dizem o documento. As entidades pedem que mais organização por parte do governo federal na tomada de atitudes contra a covid-19 diz que “ter um discurso de ódio contra o vírus não o fará sumir”, diz a carta.

Foi o que pontuou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz: “Médico nenhum comprará a agenda política do governo. A irresponsabilidade na condução do combate à pandemia pretende matar nosso povo e nossa democracia e, por incrível que pareça, há gente que é contra o isolamento, achando que basta odiar a doença para superá-la”, disparou Santa Cruz.


Felipe Santa Cruz, presidente nacional da OAB - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil

Para o presidente da Associação Brasileira de Ciência, Luiz Davidovich, nada do que foi preconizado pelas autoridades em saúde e pelos especialistas no começo da pandemia, há um ano, foi seguido. Ele criticou a oferta do chamado tratamento precoce para administração nos pacientes e reiterou que se tratam de medidas comprovadamente ineficazes contra a covid-19.

“Defendemos a ciência, a inovação e a educação de qualidade e estamos realmente entristecidos com o que acontece no Brasil com lideranças propagando ideias erradas, e com jovens, que deveriam ser mais firmes denunciando o negacionismo, sendo justamente os que mais lotam as UTI’s. É uma situação que vai além da política”, afirmou Davidovich.

 “Precisamos reduzir com prevenção”, diz Wellington Dias

Em sua fala durante a solenidade, o governador Wellington Dias voltou a defender os protocolos sanitários de contenção à covid-19 e reforçou que apenas com um controle mais efetivo por parte do Governo Federal é que as medidas decretadas nos estados surtirão mais efeitos. O gestor falou em controle de portos e aeroportos, e também no controle das rodovias federais.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Em todos os estados e regiões há pessoas nas filas de espera e temos a necessidade urgente de medidas preventivas. O isolamento social é o caminho e temos que ter uma coordenação nacional, como todos os países no mundo fazem. Precisamos de mais vacinas, porque o Brasil já se tornou o centro da pandemia e o mundo está se fechando para nós. Precisamos de apoio na área da saúde e tem que controlar os portos, aeroportos, rodovias, o que é de competência do setor público federal. Não adianta fazermos esforços sem o apoio do governo federal”, disse Dias.

“O Brasil vai se transformando no celeiro de variantes do mundo”

Um dos pontos defendidos pelas seis entidades que assinaram o manifesto entregue ao Fórum de Governadores é o apelo internacional para que outros países do mundo possam voltar seus olhos à situação do Brasil e manifestar apoio na negociação e venda de insumos para a produção de vacinas

Os representantes da CNBB, da OAB, da Associação Brasileira de Ciências e demais organizações destacaram que o Brasil vem se tornando um celeiro mundial de variantes do coronavírus e pedem mais urgência na vacinação. “Sabemos que a travessia é desafiadora. A oportunidade de reconstrução da sociedade brasileira é única e a esperança é a luz que nos guiará rumo a um novo tempo”, dizem as entidades no manifesto.

Além do governador Wellington Dias e de representantes das seis entidades que assinaram o manifesto, também participaram do encontro o governador do Maranhão, Flávio Dino, o governador do Ceará, Camilo Santana, o presidente da Federação Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, e a vice-governadora piauiense, Regina Sousa.

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