Coronavac: pacientes vacinados com lote suspenso dizem que não estão sendo monitorados

Ao confirmar que houve aplicação de vacinas de um lote interditado pelo Ministério da Saúde, a FMS havia dito que estava identificando e acompanhando quem recebeu os imunizantes

15/09/2021 12:40h

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Incerteza sobre o que deve ser feito. É esta a situação pela qual estão passando os teresinenses que se vacinaram com o lote suspenso da Coronavac. As vacinas do lote L202106038 foram interditadas cautelarmente pelo Ministério da Saúde no último dia 04 de setembro após constatação de que o laboratório que produziu os imunizantes não tinha autorização nem o selo da Anvisa. 

O problema foi que a nota técnica mandando suspender o uso destas vacinas veio depois que a Fundação Municipal de Saúde (FMS) já havia aplicado as doses em uma parte dos teresinenses. A FMS ainda não tinha conhecimento naquela ocasião de que o lote apresentava problemas e informou que está identificando e monitorando quem recebeu as vacinas.

No entanto, segundo denúncia recebida pelo Portalodia.com, esse monitoramento não vem acontecendo. Uma das pessoas que recebeu a vacina do lote L202106038 conta que a dose foi aplicada no dia 27 de agosto e até o momento o poder público ainda não entrou em contato para saber se houve algum efeito adverso nem explicar o que deverá ser feito a partir de agora.

(Foto: Divulgação/Ccom)

“Só quero uma explicação. Como proceder quem tomou esse lote? Disseram que iam ser monitorados, mas quando? A partir de quando? Tem que dar uma explicação mais detalhada. A indignação é que disseram que não foi aplicado, depois falam que quem tomou vai ser monitorado e a gente fica nessa incerteza. Sei que mal pode até não fazer, mas falta responsabilidade com a população”, diz a empreendedora Sara Oliveira, 39 anos.

Ela recebeu a segunda dose da vacina Coronavac lote L202106038 em um posto na modalidade drive-thru no Teresina Shopping no dia 27 de agosto e diz que até esta terça-feira (14), ou seja, 18 dias, ainda não foi procurada por nenhum representante dos órgãos de saúde do Município para receber orientações ou ser questionada sobre seu pós-vacina.

“Eu sei que a própria Fundação só soube depois que o lote que ela aplicou não podia ter sido usado, mas essa suspensão foi no dia 04 de setembro, tem mais de uma semana já e isso causa indignação. Eles têm nossos dados, têm as informações que precisam pra poder identificar quem tomou e orientar, estão o que ainda falta pra fazerem isso?” questiona Sara.

Órgãos podem ser responsabilizados pela falta de orientações

As pessoas que receberam doses da vacina Coronavac do lote suspenso pelo Ministério da Saúde podem acionar a justiça para exigir a responsabilização legal dos órgãos envolvidos nas campanhas de imunização. Quem diz isso é a advogada Tatiana Medeiros, que já recebeu pelo menos 22 pessoas em seu escritório pedindo orientações jurídicas sobre como proceder com a situação.

A advogada informa que caso a pessoa que recebeu a vacina do lote suspenso apresente algum sintoma atípico ou efeito adverso após a aplicação, deve solicitar uma avaliação médica e, com ela em mãos, buscar auxílio jurídico. No caso, a advogada explica que cabe responsabilização judicial, já que pode haver dano em quem recebeu o imunizante ou o esquema vacinal pode ficar prejudicado pelo recebimento de uma vacina que não teve sua qualidade atestada.

(Foto: Arquivo O Dia)

“Os órgãos envolvidos na vacinação, e aí estamos falando tanto do órgão federal [Ministério da Saúde], quanto do órgão local [FMS] podem ser acionados judicialmente, porque é considerada falta de responsabilidade. Se alguém aplica uma vacina sem a qualidade comprovada e não se dispõe a orientar e a ajudar quem recebeu o imunizante, não está tendo cuidado de orientar e instruir o cidadão. Neste caso, ele foi e segue sendo lesado”, explicou Tatiana.

Ela afirma ainda que a medida cabível nesta situação é a pessoa pode exigir judicialmente a reaplicação da dose, caso fique comprovado clinicamente que sua imunização não ocorreu porque a dose aplicada tinha deficiência em sua eficácia. Mas para isto, para que a ação possa ser movida, é preciso que o paciente tenha um laudo clínico assinado por profissional de saúde registrado atestando que não houve imunização com a vacina.

“Estamos coletando todos os documentos necessários desse grupo que já nos procurou e podemos buscar sim a responsabilização da União e do Município, porque um informou tardiamente que as vacinas que ele mesmo distribuiu não tinham certificação e o outro, que foi induzido ao erro, ao que consta vem se abstendo de orientar quem precisa ser orientado”, finaliza a advogada.

O outro lado

Procurada, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) não se manifestou a respeito da denúncia recebida pelo Portalodia.com. Anteriormente, a Fundação já havia dito que quem compra e atesta a qualidade das vacinas antes de distribuí-las é o Ministério da Saúde e que estava aguardando novas orientações por parte do órgão sobre como proceder a partir de agora.

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