Diante da falta de educação no trânsito, fiscalizar e punir ainda é preciso

Segundo o diretor da Escola Piauiense de Trânsito, a persistência em desobedecer as regras mostra que apenas o trabalho preventivo não resolve

02/02/2019 08:41h - Atualizado em 02/02/2019 09:10h

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Mesmo com normas explícitas, cidadãos insistem em desrespeitar as leis (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

“O nosso condutor ainda não está naquele ponto ideal que possamos deixá-lo mais à vontade, precisamos redargui -lo constantemente para que reduza essa quantidade de infrações”. Essa é a avaliação de Levi Gomes, diretor da Escola Piauiense de Trânsito, ligada ao Departamento Estadual de Trânsito do Piauí (Detran-PI).

E o que sugere essa realidade é, por exemplo, as mais de 10 mil multas aplicadas no Piauí por falta de uso do capacete ou, ainda, cerca de 330 mil notificações expedidas pela Superintendência de Transportes e Trânsito (Strans). Nesse sentido, é fundamental e a conscientização de todos aqueles que fazem o trânsito: pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas. “É necessário o instituto da fiscalização para coibir o ato, porque a quantidade de multas continua ainda em níveis elevadíssimos”, ressalta Gomes.

A Escola Piauiense de Trânsito, por exemplo, busca fazer um trabalho anterior à punição, que seria de educar os condutores de veículos, sejam carros, ônibus, motocicletas etc. Para o diretor Levi Gomes, o aumento das multas sinaliza para uma maior fiscalização.

“O aumento da nossa frota tem sido assustadoramente grande, em virtude das pessoas terem mais acesso aos veículos. De alguma forma, essa quantidade enorme de autuações, quer sejam de qualquer um dos órgãos que compõem o sistema, tem sido resultado de uma política de redução de lesões, de acidentes e infrações”, diz.

Em contexto nacional, a realidade não é diferente. De janeiro a junho de 2018, por exemplo, acidentes de trânsito provocaram 19.398 mil mortes e 20 mil casos de invalidez permanente no país, de acordo com dados do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES).

Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada em 2018 pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação sobre a Segurança nas Rodovias Federais aponta que 53,7% dos acidentes são causados por negligência ou imprudência dos motoristas. Dois dados importantes, e que demonstram que ainda falta educação no trânsito, é que o desrespeito às leis de trânsito foi responsável por 30,3% dos acidentes e a falta de atenção do condutor levou a 23,4% dessas ocorrências.

Apesar da prevenção e educação de trânsito serem essenciais, Levi defende que apenas o lado preventivo não resolve o impasse. “À medida que nós trabalhamos esse lado, o Código [Brasileiro de Trânsito] não apenas incentiva, como diz textualmente que os municípios devem se responsabilizar pelo trânsito e quanto mais agentes fazem essa fiscalização, naturalmente apareceriam índices dessa natureza”, completa.

"A nossa maior infração, de maneira geral, é de veículos não licenciados e pessoas não habilitadas. No caso da motocicleta, [a principal infração] é não utilizar os equipamentos de segurança que, em uma motocicleta, são essenciais”, completa.

A Escola realiza um trabalho educativo para prevenção, disciplinamento e atualização sobre as regras de trânsito, de modo a tornar as vias mais seguras e reduzir o número de infrações. Além disso, a Escola atua na “ressocialização”, conforme classifica Gomes, das pessoas que tiveram a carteira de habilitação suspensa ou cassada.

RESPEITO ÀS REGRAS DEVE IR ALÉM DO MEDO DE SER MULTADO
Para o coach Elber Santos, é necessário que as pessoas se conscientizem de que as normas de trânsito existem para a nossa própria segurança. “Cada um é responsável por sua parte. Cabe ao poder público, aos usuários do transporte e ao público em geral (ciclistas, pedestres, etc) priorizarem a segurança em primeiro lugar, e não cumprir a legislação apenas para não ser penalizado monetariamente”, aconselha.

Além disso, ele avalia que é necessário uma fiscalização mais efetiva dos responsáveis pela educação no trânsito e emissão de carteiras (Centros de Formação de Condutores, Detran, etc), “a fim de formarmos verdadeiramente bons condutores e acabar de vez com a emissão de CNHs para quem não fez o processo corretamente e trabalhar também na questão da conscientização e da educação do trânsito nas escolas”.

Como consequência de mais fiscalização, Elber defende que o número de acidentes será reduzido, trazendo “maior lisura no processo de formação de condutores e diminuirá os custos com saúde para os cofres públicos, além de formar cidadãos mais conscientes no trânsito”.

E como dicas para os futuros condutores, Elber orienta a escolher uma auto escola séria, que tenha bom desempenho e corpo técnico confiável. Além disso, “faça o processo correto e aplique os conhecimentos adquiridos para melhorar cada vez mais o tráfego de veículos”.

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Fonte: Jornal O Dia
Por: Ananda Oliveira

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