Passagem de ônibus em Teresina não deve aumentar; 'quem decide é a Prefeitura', diz SETUT

Os R$ 8,00 informados pelos empresários são o ideal para equilibrar os custos do sistema sem depender de subsídios da PMT mas não deve ser praticado em sua totalidade.

13/05/2022 09:27h

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A Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (SETUT) não encaminhou ofício à Prefeitura de Teresina solicitando aumento da passagem de ônibus de R$ 4,00 para R$ 8,00. De acordo com a entidade, o documento encaminhado foi a planilha de custos atualizada pelo sistema que contém os dados de gastos com a operação no dia a dia, o gasto com pessoal (motoristas, cobradores e fiscais) e capacidade de investimento.


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Os R$ 8,00 mencionados nas planilhas são referentes a uma tarifa ideal para cobrir todos os custos de operacionalização do sistema sem depender dos subsídios do poder público. Isso não significa que este será o novo valor da passagem de ônibus de Teresina. Essa decisão de reajustar a tarifa cabe à Prefeitura Municipal, que analisará os dados técnicos e deve cruzar as informações com sua capacidade financeira de subsidiar o sistema. Esse subsídio abate o valor calculado inicialmente pelo Setut e só então é repassado ao passageiro nas catracas.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Em entrevista exclusiva ao Portalodia.com, o coordenador técnico do Setut, Vinícius Rufino explicou: "A decisão pelo aumento da tarifa é do prefeito. Isso está em lei pelo regulamento do transporte público. O assunto que a gente vem discutindo são medidas para tentar manter um valor de tarifa adequado ao usuário. Se pensar hoje, o nosso custo operacional demandaria uma tarifa bem mais alta do que está hoje. O último cálculo que fizemos já estava batendo a faixa de R$ 8,00. Mas a PMT que tem esse poder de decidir. O Setut não. Sabemos que não é adequado você repassar um custo tão alto ao usuário", diz Vinícius.


Vinícius Rufino é coordenador técnico do SETUT - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Dívida segue em aberto

De acordo com o Setut, os impasses com a Prefeitura a respeito aos subsídios das passagens continuam em aberto. A dívida da PMT com as empresas, segundo os cálculos da entidade, já chega a R$ 73 milhões referentes aos meses de novembro de 2020 a fevereiro de 2022. Esse valor cobre as passagens estudantis, que estão congeladas em R$ 1,35 e representam menos da metade da tarifa inteira; e cobre as gratuidades (idosos, pessoas com deficiência e profissionais de segurança fardados). 

Esses subsídios, segundo aponta o Setut, é que abatem o valor da passagem final repassada ao usuário e que mantém a tarifa em valores considerados praticáveis. 


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Em outubro passado, os empresários e o poder público chegaram a entrar em acordo para sanar a dívida que, naquele momento, somava R$ 21 milhões. Esse valor seria pago em três parcelas de R$ 4,5 milhões com uma entrada de R$ 10,5 milhões. Segundo o Setut, os repasses não vêm sendo feitos.

A reportagem do Portalodia.com entrou em contato com a Prefeitura de Teresina, mas não obteve retorno quanto à situação financeira do setor de transporte público.

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