Setut e trabalhadores se reúnem hoje para discutir volta dos ônibus em Teresina

Na reunião, as empresas apresentarão aos motoristas e cobradores a parcela do acordo com a PMT a que eles têm direito e vai ouvir as reivindicações da categoria.

12/10/2021 09:15h - Atualizado em 12/10/2021 09:29h

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Depois de um ano e nove meses de impasses, a crise no transporte coletivo de Teresina poderá chegar ao fim nesta terça-feira (12). É que hoje o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Setut) e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transporte Rodoviário da Capital (Sintetro) se reúnem para discutir o retorno da totalidade da frota de ônibus de Teresina.

Na ocasião, o Setut vai apresentar aos motoristas e cobradores de ônibus os termos do acordo que foi firmado entre a classe patronal e a Prefeitura na última quinta-feira (07). É o que explica a advogada do Sindicato, Naiara Moraes: “Será explicado sobre o acordo firmado com o Município e iremos mostrar, também, a parcela a que eles têm direito para, então, ouvi-los”, disse a advogada ao Portalodia.com nesta terça.


A advogada Naiara Moraes é a assessora jurídica do Setut - Foto: Elias Fontinele/O Dia

Em entrevistas concedidas anteriormente, o Sintetro já havia informado que a intenção é que nesta reunião seja assinado acordo de convenção coletiva da categoria estabelecendo novamente o pagamento do piso salarial para motoristas, cobradores, fiscais e pessoal de manutenção das garagens, e o fim do pagamento em diárias, como vem sendo feito desde o início da pandemia.

O presidente da entidade, Ajuri Dias, afirmou que, caso a convenção coletiva da  categoria não seja assinada, os motoristas e cobradores de ônibus da capital não retornam ao trabalho em sua integralidade como prevê o acordo entre a Prefeitura e os empresários. 

Sem acordo, não tem como voltarmos ao serviço. Um ano e nove meses depois, não temos como continuar vivendo da forma que estamos. Precisamos de garantias e ter a certeza de que os nossos direitos serão respeitados e mantidos. Queremos de volta o nosso piso salarial e os benefícios que já conquistamos. Sem isso, não retornaremos”, afirmou.


Ajuri Dias é presidente do Sintetro - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Vale lembrar que Teresina já teve um incremento na frota de ônibus nesta segunda-feira (12). É que a Prefeitura de Teresina emitiu a primeira ordem de serviços às empresas de ônibus determinando que 200 veículos passassem a circular pela capital em caráter imediato. O Sintetro, no entanto, disse não ter recebido qualquer ordem de serviço por parte da Strans e os próprios usuários do transporte relataram não terem notado diferença em relação à demora na espera e à falta de ônibus dos dias anteriores.

Na reunião de hoje, será apresentada a segunda ordem de serviço discriminando como deverá ser feito o retorno integral do sistema de transporte público de Teresina para o mesmo patamar de operação que ele tinha antes da pandemia de covid-19. No entanto, os trabalhadores questionam que, somado a isso, deve ser discutida também a recontratação dos funcionários que foram demitidos durante a crise sob o risco de não haver mão de obra suficiente que atenda à demanda de ônibus na cidade.

“Como querem que volte tudo imediatamente sendo que todas as empresas fizeram demissões em massa e há delas que estão com as portas fechadas desde o começo do ano? Onde vão arranjar mão de obra?”, questionou o assessor jurídico do Sintetro, Miguel Arcanjo.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Prefeitura deixou dívida em aberto para 2022

O acordo firmado entre a Prefeitura e o Consórcio SITT, que reúne todos os consórcios de ônibus da capital, previu o pagamento parcelado da dívida de R$ 21 milhões que o entre municipal tem com os empresários. Deste valor total, os consórcios consentiram o recebimento de uma entrada de R$ 10, 5 milhões dividida em três parcelas, sendo uma de R$ 4,5 milhões para agora em outubro, e outras duas de R$ 3 milhões para novembro e dezembro.

O restante do valor, os outros R$ 10,5 milhões, serão pagos em parcelas de R$ 1,2 milhão a partir de janeiro de 2022 até que a dívida seja quitada.

Ficou acertado ainda que, a partir de 01 de dezembro, a Prefeitura é que vai assumir o controle da bilhetagem eletrônica dos ônibus. Hoje, quem faz esse controle é o próprio Setut e a Strans tem acesso a um espelho das planilhas.

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