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Vasco inicia homenagens pelos 100 anos da Resposta Histórica

A vitória do Vasco da Gama sobre o Boavista, por 2 a 0, na noite de quinta-feira (18), no estádio São Januário, no Rio de Janeiro (RJ), não representou apenas a largada do Cruz-Maltino no Campeonato Carioca, mas também o início das celebrações dos 100 anos da Resposta Histórica, um símbolo na luta contra o racismo no futebol mundial.

Em campo, o Vasco utilizou o terceiro uniforme, lançado no ano passado, em homenagem aos Camisas Negras, o elenco que conquistou o primeiro título estadual do clube em 1923. No espaço do patrocinador master, exibiu a logo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, parceiro na ação, ao qual foram doados os recursos dos leilões das camisas.

Leandro Amorim/Vasco
Uniforme do Vasco em homenagem aos Camisas Negras

O uniforme foi adotado também no amistoso contra o San Lorenzo-ARG, no Uruguai, vencido pelo Gigante da Colina por 1 a 0 e que rendeu o título do torneio de pré-temporada Serie Río de la Plata. Além disso, os jogadores de ambas as partidas estamparam os nomes e as numerações dos integrantes dos Camisas Negras.

Na nota oficial divulgada no site do Vasco, o clube citou ainda os recentes casos de racismo sofridos pelo meio-campista Lucas Eduardo, capitão da equipe sub-20 na Copinha, xingado de “macaco” após a derrota do time para o Vitória na competição; e pelo remador Matheus Henrique, de 15 anos, apreendido ao ser confundido com um ladrão de celular no Rio.

“Os casos são infelizes avisos de que a luta não acabou. O Vasco condena esses episódios e trabalha para que os autores sejam responsabilizados”, escreveu a instituição.

O que foi a Resposta Histórica?

Campeão carioca pela primeira vez em 1923, o Vasco da Gama se deparou com uma situação delicada no ano seguinte: as demais equipes do Rio fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA) e convidaram o Cruz-Maltino sob a condição de que excluísse doze jogadores de seu elenco.

Reprodução
Elenco dos Camisas Negras em 1923

Os atletas em questão eram negros, operários e analfabetos, pessoas que enfrentavam grande dificuldade para se inserirem não somente no esporte, mas em outras áreas da sociedade. Diante da proposta, o então presidente do Vasco, José Augusto Prestes, redigiu, em 7 de abril de 1924, o documento que ficaria conhecido como Resposta Histórica.

As resoluções divulgadas colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade [...]. Quanto à condição de eliminarmos doze dos nossos jogadores, resolveu por unanimidade a diretoria não a dever aceitar. São esses [...] jovens, no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.

José Augusto PrestesPresidente do Vasco da Gama (1924-1925)

Dessa forma, o Gigante da Colina desistiu de fazer parte da AMEA e manteve os jogadores em seu plantel. Três anos depois, em 1927, com o apoio da torcida, construiu São Januário, o maior estádio particular do Rio de Janeiro até os dias atuais. O clube venceu ainda outros 23 Cariocas, quatro Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil e uma Copa Libertadores da América.