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Ibovespa dispara 2,97% e atinge maior nível desde maio

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (10) com uma valorização expressiva de 2,97%, aos R$ 177.866,38 pontos, registrando o maior patamar de fechamento desde 14 de maio de 2026. O índice terminou a sessão na máxima do dia, impulsionado pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que surpreendeu positivamente o mercado ao vir abaixo das projeções.

A alta representou um ganho de R$ 5.124,26 pontos em relação ao fechamento anterior. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a marcar R$ 172.760,66 pontos, demonstrando a amplitude da oscilação intradiária. O volume financeiro negociado somou R$ 25,17 bilhões, evidenciando a forte participação dos investidores na sessão.

IPCA abaixo do esperado impulsiona expectativas de corte na Selic

O principal catalisador para o desempenho positivo do Ibovespa foi a divulgação do IPCA de junho, que registrou alta de apenas 0,16%, significativamente abaixo dos 0,58% observados em maio e inferior às projeções do mercado, que apontavam para 0,31%. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,64%.

O resultado fortaleceu as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa retomar o ciclo de cortes na taxa Selic já na reunião de agosto. Juros menores tendem a favorecer o mercado acionário ao reduzir o custo de financiamento das empresas e elevar o valor presente dos lucros futuros, tornando a renda variável mais atrativa em relação à renda fixa.

Estrategistas de mercado avaliam que um Ibovespa na faixa de 180 mil pontos é um cenário plausível, desde que a inflação continue surpreendendo positivamente e o mercado mantenha a expectativa de continuidade do ciclo de cortes de juros. No entanto, a proximidade das eleições de 2026 pode incorporar um prêmio de risco político mais elevado.

Setor financeiro lidera os ganhos na B3

Os bancos sensíveis a juros lideraram os ganhos na sessão. O Bradesco avançou 4,78%, enquanto o Itaú Unibanco subiu 4,02%. No setor de varejo, a Magazine Luiza disparou 7,41%, beneficiada pelo alívio na curva futura de juros. O índice de consumo da B3 fechou com elevação de 2,88%, e o índice do setor imobiliário subiu 3,9%.

A Vale registrou alta de 1,41%, alinhada aos futuros do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras avançou 1,12%. A única queda do Ibovespa no dia foi da Prio, que cedeu 0,29%. Dos 79 papéis que compõem o índice, praticamente todos encerraram em território positivo.

Desempenho acumulado e perspectivas

Com o resultado, o Ibovespa completou a terceira semana consecutiva de valorização, acumulando ganho de 2,18% no período. Em julho, o índice acumula alta de 3,40%, e no ano, a valorização atinge 10,39%. O dólar à vista caiu 0,31%, encerrando cotado a R$ 5,108, menor valor de fechamento desde 16 de junho.

No cenário externo, investidores continuaram acompanhando os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, que mantém a volatilidade nos mercados globais. A valorização do real acompanhou o fortalecimento de outras moedas de países emergentes, em um ambiente de maior disposição dos investidores para assumir riscos em ativos de mercados em desenvolvimento.

Analistas destacam que, se o processo de desinflação continuar evoluindo de forma favorável e a curva de juros seguir seu movimento de fechamento, a visão permanece construtiva para a bolsa brasileira no horizonte de médio prazo, ainda que a volatilidade deva aumentar com a aproximação do calendário eleitoral.