O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (9), cotado a R$ 171.423,60, com valorização de 0,45% (R$ 770,15), interrompendo uma sequência de três pregões consecutivos de queda. O principal índice da B3 oscilou entre a mínima de R$ 170.652,88 e a máxima de R$ 171.718,22 durante a manhã, sinalizando tentativa de recuperação após as perdas recentes.
A abertura do pregão foi registrada em R$ 171.423,60, com o mercado reagindo positivamente às expectativas em torno da divulgação do IPCA de junho, indicador que pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. O índice futuro já havia sinalizado tendência de alta nas primeiras horas do dia, operando na faixa dos 173,5 mil pontos.
Contexto do mercado e tensões geopolíticas
O Ibovespa encerrou a sessão anterior em queda de 0,79%, aos 170.653 pontos, pressionado pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump declarou encerrado o memorando de entendimento com Teerã, elevando a aversão ao risco nos mercados globais e impulsionando os preços do petróleo para a faixa dos US$ 80 por barril.
O cenário externo permanece no radar dos investidores. O dólar comercial opera próximo de R$ 5,14, enquanto os juros futuros apresentam recuo. Os mercados asiáticos fecharam em alta nesta quinta, com destaque para o setor de tecnologia, e as bolsas europeias também registram recuperação, amenizando parte das perdas da véspera.
Perspectivas para o Ibovespa e fatores de atenção
Analistas destacam que o Ibovespa encontra-se em um momento técnico delicado, negociando próximo às médias móveis de 9 e 21 períodos. Para retomar uma trajetória de alta mais consistente, o índice precisará superar a faixa de resistência entre 171.945 e 174.230 pontos, com projeções mais longas apontando para os 181.560 pontos.
O mercado brasileiro chega a julho após quatro meses consecutivos de queda, com investidores estrangeiros retirando cerca de R$ 36,2 bilhões da B3 desde o pico de abril. A incerteza em torno dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, mantém o ambiente cauteloso. A taxa Selic permanece em 14,25% após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
Setores em destaque e recomendações
Entre os setores, as ações de Petrobras (PETR4) seguem como destaque positivo, beneficiadas pela alta do petróleo no cenário internacional. Na sessão anterior, os papéis avançaram 3,15%. Por outro lado, a Vale (VALE3) continua pressionada pela queda do minério de ferro e por questões de governança corporativa, após a aprovação de assembleia para votar a remoção do presidente do conselho.
O Ibovespa é negociado atualmente a 8,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar considerado 21% abaixo da média histórica de 10,5 vezes. Apesar do desconto, analistas recomendam cautela e posicionamento mais defensivo, com preferência por bancos, blue chips e ativos de menor volatilidade. As principais casas de análise mantêm Itaú (ITUB4), BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco (BBDC4) entre as ações mais recomendadas para o mês.