Nesta segunda-feira, 20 de julho, é considerado Dia do Amigo. Há amizades que resistem ao tempo. Outras vão além e conseguem atravessar diferentes fases da vida, transformando-se em parceria, cumplicidade e apoio mútuo. É assim a história das médicas radioncologistas Ravenna Nogueira de Carvalho e Paula Melo, que se conhecem desde a infância e, mais de três décadas depois, continuam dividindo não apenas a amizade, mas também a profissão, projetos de trabalho e a convivência entre as famílias.
As duas se conheceram ainda crianças. Ravenna era colega de escola da irmã mais velha de Paula e, por terem apenas um ano de diferença de idade, logo se aproximaram. Os finais de semana eram marcados por brincadeiras, noites de pijama e muitas histórias compartilhadas.
A Paula é irmã de uma grande amiga minha da infância, a Maria Cristina, e, por nossa proximidade de idade, a gente sempre se encontrava nos finais de semana. Era raro o final de semana que uma não estava na casa da outra. A gente brincava de Barbie, dançava e eu lembro que a casa dela foi a primeira em que meu pai deixou eu dormir fora
Paula também guarda com carinho as lembranças dessa época. “Ela sempre frequentou minha casa. Mesmo eu sendo mais nova, às vezes ia brincar na casa dela. Nós éramos amigas de dormir, inclusive, uma na casa da outra. Não sabia que essa amizade iria se perpetuar por toda a vida. Acho que são coisas de Deus mesmo”, afirma.
Apesar de terem seguido caminhos diferentes durante a adolescência e o início da vida adulta, o destino voltou a aproximá-las quando ambas escolheram a Medicina e, mais tarde, a mesma especialidade: a Radioterapia. A coincidência, no entanto, aconteceu de forma independente. Paula conta ter escolhido a especialidade após um incentivo do avô.
“A gente não se influenciou na escolha da profissão. Cada uma resolveu, por questões próprias, fazer Medicina. A minha decisão em fazer Radioterapia foi porque meu avô me chamou e disse que o hospital precisava de um médico radioterapeuta. Foi assim que recebi essa missão”, explica.
Hoje, elas trabalham juntas e também conquistaram espaço nas redes sociais, onde são conhecidas como as “Dras Radioativas". A parceria profissional fortaleceu ainda mais uma amizade construída desde a infância.
“O trabalho nos reaproximou. Hoje, a Paula faz parte da minha vida em praticamente todos os aspectos. Dividimos muitos projetos, trabalhamos juntas, nossas famílias são amigas e nossos filhos crescem se conhecendo”, conta Ravenna.
Para Paula, reencontrar a amiga no ambiente profissional foi um presente. “Quando cheguei para trabalhar, ela já estava lá. Ela me recebeu, me ajudou e me acolheu. Sempre tivemos com quem dividir dúvidas, viagens para congressos e decisões da profissão. Quando olho para trás, vejo a Ravenna em tudo”, lembra a médica.
As duas acreditam que o principal segredo para uma amizade tão duradoura está no respeito às diferenças. Elas destacam que divergências sempre irão existir em qualquer relação, mas, apesar disso, as discordâncias nunca foram maiores do que a admiração e o carinho que construíram uma pela outra.
O segredo é admirar as diferenças da outra e não tentar mudar o que cada uma pensa ou é”, diz Ravenna. “Acho que o segredo para uma amizade duradoura é o respeito. É admirar aquela pessoa, saber que você pode contar com ela e que ela não vai lhe deixar na mão