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Especialistas explicam como manter uma alimentação saudável e sem estourar o orçamento

Com a alta constante nos preços dos alimentos, muitas famílias têm precisado reorganizar o orçamento para dar conta das despesas básicas. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que, desde 2006, os alimentos ficaram 302,6% mais caros no Brasil, enquanto a inflação geral acumulou alta de 186,6% no mesmo período. Na prática, isso significa que R$ 100 gastos com alimentação há quase duas décadas equivalem a apenas R$ 24,70 em poder de compra atualmente.

Diante desse cenário, uma dúvida tem se tornado cada vez mais comum entre os consumidores: afinal, comer de forma saudável custa caro? Diferente do que muitos pensam, ter uma alimentação equilibrada, in natura e como poucos processados, pode ser muito mais econômica do que consumir produtos industrializados ou considerados "fitness".

A nutricionista Laysse Morais explica que a ideia de que alimentação saudável é sinônimo de alto custo está frequentemente associada ao crescimento do mercado de produtos fitness, que recebe forte investimento comercial.

A indústria dos produtos fitness cresceu bastante e, junto com ela, foi agregado valor e marketing. Mas a nutrição básica sempre funcionou e sempre vai funcionar. Alimentos naturais ou minimamente processados continuam sendo a base de uma alimentação saudável e, muitas vezes, custam menos

Laysse Morais nutricionista

Segundo a especialista, muitos consumidores acabam associando automaticamente produtos ricos em proteínas ou com embalagens atrativas à ideia de saúde, sem observar a lista de ingredientes. “Hoje vemos muitas bebidas proteicas e barras de proteína sendo vendidas como opções saudáveis. Elas podem ser úteis em algumas situações, mas as pessoas precisam aprender a ler os rótulos. Muitas possuem uma longa lista de conservantes, corantes e aditivos”, alerta.

Um desses exemplos são as bebidas proteicas prontas para consumo. Algumas unidades de 250 ml podem custar entre R$ 10 e R$ 16. Com o mesmo valor, é possível comprar ovos, bananas e pães, montando refeições mais completas, nutritivas e que rendem por vários dias.

“No lugar de uma bebida proteica, a pessoa pode consumir ovos e frutas. Com o valor de uma única garrafinha, muitas vezes é possível comprar uma bandeja inteira de ovos, que será utilizada em diversas refeições ao longo da semana”, explica.

Planejamento ajuda a economizar e a seguir um plano alimentar mais saudável

Para quem deseja melhorar a alimentação sem comprometer o orçamento, o planejamento é uma das principais estratégias. A nutricionista Laysse Morais recomenda reservar algumas horas da semana para organizar as refeições e deixar alimentos previamente preparados e porcionados.

“Quando a pessoa planeja o que vai consumir durante a semana, ela evita desperdícios, economiza tempo e reduz a necessidade de recorrer a alimentos ultraprocessados pela praticidade. É possível deixar arroz, feijão e proteínas preparados e congelados em porções, facilitando a rotina”, orienta.

Embora alguns produtos ultraprocessados tenham preços atrativos, a nutricionista alerta que o consumo frequente pode trazer consequências para a saúde e gerar gastos futuros com tratamentos médicos. “Às vezes um biscoito recheado parece mais barato naquele momento. Mas, quando pensamos nos impactos para a saúde a médio e longo prazo, esse custo pode ser muito maior. Estamos falando de doenças crônicas que exigem medicamentos e acompanhamento médico”, ressalta.

Reprodução/Agência Brasil
Planejamento ajuda a economizar e a seguir um plano alimentar mais saudável

Além disso, alimentos ultraprocessados costumam ser ricos em açúcar, sódio, gorduras e aditivos químicos, estando associados ao aumento do risco de obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Para a especialista, seguir o básico será sempre a melhor escolha.

“O básico continua funcionando. Arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, ovos e carnes são alimentos que fornecem os nutrientes necessários e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada sem pesar tanto no bolso. O segredo está no planejamento e nas boas escolhas”, conclui.

Atleta relata aumento de até 30% nos gastos com alimentação

Caíque Breno (34) conta que sua alimentação passou por grandes mudanças depois que começou a praticar corrida. O atleta amador e agente penitenciário conta que buscou um acompanhamento nutricional para melhorar o desempenho nas provas e adequar a alimentação às exigências do esporte. A mudança trouxe benefícios para a saúde, mas também impactou diretamente seu orçamento mensal.

Segundo Caíque, os gastos com alimentação aumentaram quase 30% após a adoção de uma rotina alimentar mais planejada. “No início foi bem complicado, principalmente para mim, que sempre gostei muito de doce. Quando eu não tinha acompanhamento nutricional, comia de qualquer forma e pedia muito em aplicativo. Hoje tenho uma alimentação voltada para o desempenho na corrida e isso acaba saindo um pouco mais caro”, relata.

Com o acompanhamento profissional, o atleta passou a consumir refeições mais equilibradas, compostas principalmente por proteínas, carboidratos e alimentos frescos. Além disso, a preparação das refeições passou a fazer parte da rotina semanal. “Toda semana eu tiro um tempo para organizar a alimentação. Estou sempre comprando proteína, carboidrato, pão, macarrão e legumes, pois a corrida exige muito carboidrato”, explica.

Foto: Arquivo pessoal
Segundo Caíque, os gastos com alimentação aumentaram quase 30% após a adoção de uma rotina alimentar mais planejada

Além da alimentação, outro fator que elevou os custos mensais de Caíque Breno foi a suplementação esportiva, com produtos como whey protein, que passaram a fazer parte da rotina. “Um pote de whey custa entre R$ 200 e R$ 300 e, para quem utiliza diariamente, isso pesa bastante no orçamento”, afirma.

Apesar do aumento nas despesas, Caíque acredita que os benefícios compensam o investimento. “Sem dúvidas meu desempenho melhorou muito. Eu sinto falta de algumas coisas, principalmente dos doces, mas hoje tenho menos gordura corporal e mais massa magra. A alimentação faz toda a diferença no desempenho e na saúde”, conclui.