Portal O Dia

Moradores da zona Sul de Teresina cobram o retorno de ônibus aos domingos

Moradores da zona Sul de Teresina estão há meses sem transporte público aos domingos. Das cerca de 25 linhas que atendem a região por meio da empresa Transcol, apenas três operam nesse dia da semana. A redução na oferta de ônibus obriga parte da população a recorrer a transportes por aplicativo e, segundo os moradores, acaba gerando exclusão social, especialmente entre pessoas de baixa renda que dependem do serviço para se locomover.

Assis Fernandes/O Dia
Moradores da zona Sul de Teresina cobram o retorno de ônibus aos domingos

Moradora da Vila Dagmar Mazza, Maria Vitória trabalha em um shopping da capital e afirmou que há cerca de três a quatro meses sofre com a falta de ônibus aos domingos, especialmente nos horários de saída do trabalho, quando a oferta de transporte é ainda mais limitada e ela precisa recorrer a alternativas mais caras para conseguir voltar para casa.

“Eu trabalho em um shopping e essa falta de ônibus aos domingos tá prejudicando muito a gente, porque gastamos muito com transporte por aplicativo. É caro, principalmente na volta. Para ir eu pago cerca de R$ 15, mas ontem mesmo eu paguei R$ 28,50 somente para voltar”, disse.

Com gasto médio de cerca de R$ 150 por mês apenas com deslocamentos aos domingos para o trabalho, Maria diz se sentir prejudicada com a situação. Ela relata ainda que, em alguns casos, precisa fazer horas extras ou recorrer a empréstimos para conseguir arcar com o transporte.

“Me sinto muito prejudicada. Porque não é sempre que eu tenho dinheiro pra pagar transporte por aplicativo. Muitas vezes eu tenho que fazer horas extras só para pagar a locomoção aos domingos. As vezes meu irmão me empresta o dinheiro, que de pouco em pouco faz falta”, complementou.

A falta de ônibus afeta também a moradora do bairro Vamos Ver o Sol, Tainá, que relata dificuldades para se deslocar aos domingos.

“Eu e minha mãe estamos passando muita dificuldade para irmos para nossa igreja aos domingos. Dependíamos do ônibus de manhã e à noite para ir para o bairro Parque Piauí. Eu tiro da minha bolsa do estágio e quando eu não posso, minha mãe tira da venda dos dindin e a igreja também tem ajudado a gente nessa questão. Porém, como são deslocamentos pela manhã e à noite, a gente acaba tendo que tirar uma quantia bem pesada para quem não recebe um salário mínimo. São R$ 20 para ir pela manhã, às vezes R$ 40 quando vamos às duas, e mais R$ 40 à noite”, disse.

Outra moradora da zona Sul, Irenilda, também pede a retomada do transporte aos domingos e afirma que muitas pessoas não têm condições de arcar com alternativas mais caras. “Vamos ver a possibilidade da volta do ônibus aos domingos. Muitas pessoas trabalham em ritmo de plantão e não tem condições de pagar transporte por aplicativo”, disse.

Das 25 linhas que atendem a região por meio da empresa Transcol, apenas as que ligam os bairros Cerâmica Cil, Teresina Sul e Eduardo Costa circulam aos domingos. Com isso, moradores de diversos bairros, como Parque Sul, Nova Alegria, Vamos Ver o Sol, Sacy, Mário Covas e Santa Fé, entre outros, ficam sem atendimento. Além disso, os três itinerários em operação seguem pela Avenida Miguel Rosa, deixando de atender vias importantes como as avenidas Barão de Gurguéia, Pedro Freitas e Barão de Castelo Branco.

Os moradores também relatam insatisfação com a redução das viagens no período noturno. Em geral, a penúltima saída dos ônibus ocorre por volta das 18h, enquanto a última acontece após as 21h, o que gera um intervalo de pelo menos três horas sem circulação. Nesse período, trabalhadores e estudantes acabam sem opção de transporte público e precisam recorrer a meios alternativos para se deslocar.

O Portal O Dia procurou a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) para comentar o caso, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.