Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Coluna Campelo Filho

por Campelo Filho

O jogo das “Bets”

expansão, publicidade e regulação

15/07/2026 às 11h50

Comecemos pelos números: de acordo com o Ministério da Fazenda, somente em 2025 a receita bruta das Bets legalizadas no Brasil alcançou R$ 37 bilhões. Em 2026, apenas nos quatro primeiros meses do ano, as empresas legalizadas de apostas faturaram R$ 12,2 bilhões, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Esses dados permitem compreender a dimensão do fenômeno das bets no cenário nacional e o volume de recursos que movimentam. Também ajudam a explicar como grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2026, funcionam como catalisadores desse tipo de negócio, que se vale intensamente de estratégias de marketing para incentivar os torcedores a apostar cada vez mais.

Trata-se de uma associação perfeita, abraçada por artistas, influenciadores, apresentadores e outras figuras midiáticas. No caso da Copa do Mundo, até narradores e comentaristas esportivos entraram em campo, chamando a atenção pela forma como promovem e estimulam as apostas durante as transmissões. Com isso, normalizam o jogo e, consequentemente, seus riscos para milhões de pessoas, incluindo crianças, adolescentes, idosos e outros públicos vulneráveis, reacendendo o debate sobre a regulamentação das Bets.

Diante de tantos estímulos e promessas de dinheiro fácil, torna-se impossível ignorar o risco sistêmico do transtorno do jogo compulsivo em nosso país. Em resposta a esse cenário, o governo brasileiro, por meio dos Ministérios da Fazenda e da Justiça, estabeleceu, na semana passada, novas diretrizes para a publicidade de apostas on-line.

Entre as exigências, destacam-se a obrigatoriedade de exibição de avisos de conscientização, semelhantes aos adotados para produtos como álcool e tabaco. As mensagens esclarecem que o jogo pode causar dependência financeira e psicológica e reforçam que essa prática não deve ser encarada como investimento. Além disso, as novas regras proíbem comentaristas e influenciadores de utilizarem sua autoridade técnica para induzir o público a apostar ou prometer lucros fáceis. As empresas que desrespeitarem as normas estarão sujeitas a punições severas, incluindo multas milionárias e a eventual suspensão definitiva de suas atividades.

Ao reconhecer as consequências negativas dessa atividade, o Estado assume o papel de moderador do discurso publicitário. A transparência obrigatória na comunicação é o ponto central dessa nova abordagem, que rompe com a narrativa persuasiva e lúdica do marketing ao inserir advertências e informações aos usuários sobre riscos reais, como dependência, vício, comprometimento da renda, entre outros males.

EM TEMPO

 

A legalização das Bets no Brasil teve início em 2018, por meio de medida provisória posteriormente convertida na Lei nº 13.756/2018, que autorizou as apostas de quota fixa sem, contudo, estabelecer mecanismos adequados de fiscalização. Em 2023, foi promulgada a Lei nº 14.790/2023, conferindo ao Ministério da Fazenda competência para disciplinar o setor. O processo de fiscalização ganhou força em 2024, com a criação da Secretaria de Prêmios e Apostas, e, a partir de 2025, passaram a ser cobradas outorgas e aplicadas regras mais rígidas. Como resultado, 56 mil sites ilegais foram bloqueados e quase mil perfis de influenciadores que atuavam à margem da lei foram removidos.

Atualmente, existem 109 casas de apostas autorizadas a operar no Brasil.

A lista completa está disponível no site do Ministério da Fazenda.