Os países membros da União Europeia (UE) confirmaram nesta sexta-feira (9), a aprovação preliminar de um amplo acordo comercial com o Mercosul, bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, após mais de 25 anos de negociações. A decisão abre oficialmente o caminho para a assinatura do tratado, que pode criar a maior zona de livre-comércio do mundo, reunindo juntos cerca de 720 milhões de consumidores e US$ 22,3 trilhões em PIB.
Os embaixadores dos 27 países da UE votaram favoravelmente pela aprovação do acordo no Comitê de Representantes Permanentes (Coreper). Mais de 65% dos Estados-membros e mais da metade da população do bloco apoiou o pacto. Países como França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve.
Com o aval do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar para Assunção (Paraguai) na próxima semana para a assinatura formal do acordo, atualmente prevista para o dia 17 de janeiro de 2026.
Entretanto, a aplicação do tratado ainda depende do aval do Parlamento Europeu e da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países membros dos dois blocos.
O que muda para os consumidores e para o mercado
Um dos efeitos mais imediatos do futuro acordo será a redução gradual e, em muitos casos, a eliminação de tarifas de importação sobre determinados produtos entre os dois blocos. Segundo análise recente, o Brasil pode começar a importar produtos europeus com preços mais baixos ao longo dos próximos anos, à medida que o acordo for implementado.
Produtos que podem se tornar mais acessíveis no mercado brasileiro incluem:
• Vinhos (com redução de tarifas de até 35%);
• Azeites de oliva;
• Chocolates e doces finos;
• Queijos finos;
• Leite em pó e fórmulas infantis, alguns deles com tarifas zeradas dentro de cotas específicas.
Além disso, a indústria automotiva europeia celebra a redução de tarifas de exportação (que hoje chegam a cerca de 35%), o que pode fortalecer as cadeias de produção e o acesso a peças e tecnologia no Mercosul.
Resistências e preocupações
Apesar do entusiasmo de setores comerciais, o acordo é alvo de forte resistência em partes da Europa, especialmente entre agricultores e produtores rurais. A França, por exemplo, expressou oposição frontal, argumentando que a chegada de produtos agropecuários mais baratos pode criar concorrência desleal e ameaçar a produção local.
Representantes de setores sensíveis, como carne bovina, aves, arroz, mel e ovos, pediram garantias de proteção e mecanismos de interrupção de preferências tarifárias no caso de impacto econômico negativo.
O que vem a seguir
Com as confirmações dos países membros, os blocos avançam para a assinatura oficial do acordo no próximo mês. Depois disso, a principal etapa será a aprovação final pelo Parlamento Europeu e a ratificação nos parlamentos nacionais dos países envolvidos, tanto na UE quanto no Mercosul, antes da entrada em vigor.