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O gol é o pão do povo

Fabinho foi lá nos pampas, onde a chuva faz morada, e nos trouxe o pão da alegria

20/10/2015 10:48

Imagem: Portal O Dia

Todo mundo só falava no mesmo assunto. Do boteco da esquina à mesa chique do shopping, também só se falava uma única coisa. Do Mercado da Piçarra ao Mercado do Mafuá, a prosa era uma só. A tevê mostrava o tempo todo a mesma conversa de todos. E o que tanto se falava? Ora, ora o jogo do River diante do Lajeadense pela série D do Campeonato Brasileiro, podia ser outra coisa? Até podia, mas todo mundo só queria saber da possibilidade do Galo subir para a série C.

E a possibilidade se concretizou. Com o gol de empate de Fabinho (Lajeadense-Rs 1 X 1 River-Pi), o River conseguiu ascender para a série seguinte. E no futebol meu amigo, como diria Paulo Mendes Campos, o cronista que amava futebol, como um homem ama a uma mulher, “o gol é o pão do povo”. E Fabinho foi lá nos pampas, onde a chuva faz morada, e nos trouxe o pão da alegria.

Esse jogador sabe que o torcedor piauiense tem fome de grandes jogos, tem fome de grandes espetáculos, tem fome de gol, por isso, resolveu amenizar a nossa acachapante fome. Mas aqui, a homenagem não cabe somente ao homem-gol, ela também se estende ao presidente do clube, ao vice-presidente, ao tesoureiro, aos conselheiros, ao diretor de futebol, ao médico, ao massagista, ao roupeiro e evidentemente ao técnico, todos são beneméritos do grande feito, e todos merecem comer um pedaço do nosso pão da alegria.

O técnico Flávio Araújo é um daqueles mestres que sabe construir em campo, o mesmo que um bom padeiro sabe produzir numa fornalha: a delícia de um pão quentinho. E assim, quentinho, tinindo, pediu aos seus jogadores que apenas dessem o toque final no alimento popular.  O calor do nordeste superou o frio gaúcho, os Heróis do Jenipapo eliminaram os Farroupilhas, o véu de noiva da nossa cerveja desceu melhor do que o chimarrão deles, e o que é melhor, o gol gaúcho com sabor de churrasco não teve efeito nenhum sobre o gol piauiense com sabor de pão da hora.

Devo lembra-los que a batalha campal não acabou. Nas semifinais da competição o tricolor do Piauí pegará o Ypiranga do Rio Grande do Sul, outros gaúchos virão, mas esses dois jogos envolvendo as duas equipes é assunto para outra crônica. Por enquanto, só o acesso à série C é que nos interessa, porque essa conquista é tão doce como as mangas que caem da mangueira do condomínio onde moro. O empate do River com sabor de vitória foi tão bonito como as folhas dos ipês teresinenses. Em 69 anos de existência, os tricolores conseguirem nos proporcionar um dia do Piauí tão sublime como os pães de queijo do seu Cornélio.

Já ouvi até riverino dizer para vascaíno, de tão eufórico otimismo, que em 2017 acontecerá o duelo entre River e Vasco pela série B do Campeonato Brasileiro no estádio Albertão, haja alegria de sobra dos torcedores do Galo e gozação para cima dos torcedores do Gigante da Colina! Mas pilhéria, chiste, gracinhas a parte, o momento do futebol piauiense é de festa, é de dança carnavalesca fora de época, é de sorrisos fartos e também de um pouco de gratidão ao trabalho brilhante do Flávio Araújo, afinal, uns nascem para jogar futebol, outros para colocar o futebol na divisão que merece, não é mesmo seu Paulo Mendes Campos? E como o senhor bem dizia, “o gol é alegria do povo”, “o gol é o pão do povo”, para nós, depois que o River comeu o pão que diabo amassou durante esses anos todos, o gol de ontem do jogador Fabinho teve efeito de um purgatório que se transformou em Santa Ceia.

 

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