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Piauí

Delegado Charles precisou mudar de endereço após ameaças de morte feitas por faccionados

O delegado também trocou de academia e alterou a rotina após a identificação de pelo menos 10 planos para assassiná-lo

23/06/2026 às 13h15

23/06/2026 às 13h15

O delegado Charles Pessoa precisou mudar de endereço, trocar de academia e alterar a rotina após sucessivas ameaças de morte atribuídas a integrantes de facções criminosas. O coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), delegado Laércio Evangelista, disse nesta terça-feira (23) que afirmou que as forças de segurança identificaram pelo menos 10 planos para assassinar o delegado ao longo dos últimos anos

Delegado Charles precisou mudar de endereço após ameaças de morte feitas por faccionados - (Divulgação) Divulgação
Delegado Charles precisou mudar de endereço após ameaças de morte feitas por faccionados

De acordo com as investigações, as ameaças eram feitas por meio de redes sociais e também por pichações em muros de Castelo do Piauí. Em alguns casos, o nome do delegado era citado diretamente em mensagens que faziam referência à sua morte.

Sobre a operação realizada no município, Laércio Evangelista afirmou que as investigações tiveram início após a identificação das ameaças. "Na cidade de Castelo do Piauí. Mais uma operação deflagrada pela Secretaria de Segurança, desenvolvida na cidade de Castelo do Piauí, em um contexto, inclusive, de possíveis ameaças que teriam surgido lá em face do delegado Charles. Por essa razão, procuramos identificar esses indivíduos e tivemos uma operação exitosa, com a prisão de sete indivíduos já", disse o delegado Laércio Evangelista.

O coordenador do Draco também detalhou a forma como as ameaças eram divulgadas pelos investigados. "São ameaças por indivíduos lá da região, através de redes sociais, pichações. Isso aqui é motivo de incentivo para a gente, porque, de forma alguma, vamos recuar. A polícia é o braço forte do Estado, a polícia é o braço forte da lei, e de maneira nenhuma vamos recuar. É tanto que hoje fizemos uma operação lá na cidade, com a prisão desses indivíduos que possuem envolvimento com a facção PCC", afirmou Laércio Evangelista.

Ainda segundo a SSP-PI, pessoas que tenham participado da divulgação das ameaças nas redes sociais, por meio de comentários, compartilhamentos ou outras interações consideradas relevantes para a investigação, também poderão ser alvo de apuração criminal.

Além das sete prisões realizadas durante a operação em Castelo do Piauí, as investigações seguem em andamento e outros suspeitos de envolvimento nas ameaças ainda poderão ser presos. Durante a ação, as equipes também apreenderam entorpecentes, aparelhos celulares e outros materiais que serão periciados para auxiliar na identificação de novos envolvidos na organização criminosa e na divulgação das ameaças.

Ao comentar os impactos das intimidações em sua vida, o delegado Charles Pessoa afirmou que precisou alterar completamente sua rotina por questões de segurança. "Hoje tenho três ou quatro endereços. Um dia durmo em um local, outro dia durmo em outro. A gente não consegue ter uma rotina, nem eu, nem os meus familiares", relatou.

O delegado também revelou que relatórios de inteligência apontaram que criminosos monitoravam seus deslocamentos e até os locais que frequentava. "Esses dias a inteligência da Polícia Federal encaminhou um relatório informando que esses criminosos estavam monitorando toda a nossa rotina e a rotina dos nossos familiares. Inclusive, identificaram a academia que eu estava frequentando e, mais uma vez, tivemos que mudar a nossa rotina", afirmou.

Charles Pessoa ainda defendeu uma resposta mais rigorosa contra integrantes de facções criminosas que ameaçam agentes públicos e ressaltou que esse tipo de intimidação não pode ser tratado como algo comum. Segundo ele, as forças de segurança já identificaram, ao longo dos últimos anos, pelo menos dez planos de atentados contra policiais e seus familiares. "Uma ameaça a um agente público é uma ameaça ao próprio Estado. O Estado jamais vai temer", concluiu.