Neste sábado (25), celebra-se o Dia do Escritor, data criada em 1960 pelo então ministro da Educação e Cultura, Pedro Paulo Penido, durante o I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE). Em 2026, a homenagem completa 66 anos. No Piauí, a literatura encontra espaço para se propagar. Todos os anos, novos autores surgem a cada página escrita, provando que a literatura está sempre revelando novos talentos.
O gosto pela leitura costuma ser o primeiro capítulo da história de muitos escritores. No caso do piauiense Geraldo Rodrigues, conhecido no universo literário pelo pseudônimo Dark Gero, tudo começou ainda na infância, entre gibis, livros usados e uma imaginação que transformava cada página lida em novas possibilidades.
Hoje, além de escritor, Dark Gero também atua como roteirista. Entre seus trabalhos estão os seriados “Os Roni”, estrelado por Whindersson Nunes, Carlinhos Maia e Tirullipa, além da segunda temporada de Próxima Parada, também com Whindersson. Mas foi na literatura que encontrou espaço para construir histórias capazes de provocar emoções e conquistar leitores em todo o país
"Eu gosto de ler desde criança. Lembro que não tive incentivo, foi algo que brotou em mim. Primeiro com quadrinhos e depois livros. Uma vez por mês, quando minha mãe ia receber o salário, eu pedia R$ 1 para comprar um livro usado nas bancas de sebos que ficavam atrás da Igreja São Benedito. Sempre que eu lia, minha mente começava a viajar, me imaginando nas histórias. E assim, por volta dos 10 anos de idade, escrevi à mão meu primeiro livro, em um caderno de brochura; era minha versão de uma história que li, mas tendo a mim como protagonista", relembra.
Com o tempo, ele começou a criar suas próprias histórias. O sonho de publicar um livro, cultivado desde menino, transformou-se em realidade anos depois. Apaixonado por suspense, mistério e terror, Dark conta que foi influenciado inicialmente pelos clássicos da coleção Vaga-Lume e, mais tarde, pelas obras de Agatha Christie e Stephen King.
Seu primeiro livro, “Obscura”, foi publicado em formato digital, em 2010, e ganhou leitores em diferentes estados brasileiros. A repercussão abriu caminho para a publicação da primeira obra física, Arlequim, em 2020, que lhe rendeu um prêmio de melhor livro de terror em São Paulo. Depois disso, vieram “Caligem”, novos leitores, pesquisas acadêmicas sobre sua obra e uma legião de fãs espalhada pelo Brasil.
E o amor pela escrita ultrapassou as páginas dos próprios livros e encontrou continuidade dentro de casa. Aos oito anos, sua filha, Giovanna Mesquita Rodrigues, começou a trilhar um caminho muito parecido com o do pai, escrevendo as primeiras histórias em um caderno. "Fico emocionado em ver que, além de adorar ler, ela também teve a iniciativa de escrever sua própria história, como eu, em um caderno, e completamente original", fala orgulhoso.
Para Dark, esse é um sinal de que a literatura continua encontrando novos caminhos e novos autores. O escritor acredita que o Piauí reúne talentos que precisam apenas de oportunidade para serem descobertos.
"Acho que é essencial novos escritores mostrarem suas obras ao mundo. Aqui no Piauí temos talentos incríveis, mas que ficam engavetados por falta de incentivo. Meu conselho é que corram atrás, sejam lidos! Temos a dádiva da internet, que nos conecta ao mundo. Em algum momento, os leitores vão se multiplicar, as editoras vão aparecer, e o resto é história. Apenas desenvolvam a escrita, tornem-se especialistas na sua arte. Se for bom, certamente você será lido e apreciado”, enfatiza.
E a produção não para. Dark já tem seis livros escritos, um com publicação marcada ainda para este ano, um projeto em desenvolvimento e dezenas sendo organizados na cabeça, aguardando o momento certo para ganharem vida.
Dia do Escritor: Piauí, celeiro de novos talentos da literatura
Mais do que reunir leitores, o Salão do Livro do Piauí (Salipi) tornou-se um território de encontros e descobertas. A cada edição, cerca de 200 novos livros são lançados, revelando escritores de diferentes idades, estilos e trajetórias. Alguns carregam o sonho da publicação desde a juventude; outros encontram, apenas mais tarde, coragem para transformar memórias, vivências e imaginação em palavras impressas.
Para Kássio Gomes, presidente da Fundação Quixote e organizador do Salipi, a democratização do acesso ao livro e à leitura abriu caminhos para que novos talentos ocupassem espaço na literatura piauiense.
"O Salipi é uma prova muito contundente desse avanço, porque nós somos o único estado brasileiro em que a feira de livros se desdobra em eventos pelo interior. Nós temos o Salipa, em Parnaíba; o Salibom, em Bom Jesus; o Saliva, em Valença; o Salip2, em Pedro II. Esses eventos se tornaram, ao mesmo tempo, vitrine para os novos escritores e um ponto de encontro para esses autores, que podem dialogar com grandes nomes da literatura nacional. Só no Salipi, cerca de 200 novos títulos são lançados a cada ano, e boa parte deles é de autores iniciantes”, conta.
Segundo Kássio, a literatura produzida hoje também reflete um mundo mais diverso. Se antes predominavam romances e obras de forte regionalismo, atualmente é possível encontrar narrativas de suspense, terror, literatura feminina, LGBTQIAPN+, obras acadêmicas e histórias que dialogam com as transformações tecnológicas e sociais.
Ao contrário do que muitos imaginam, a internet também tem contribuído para esse movimento. Muitos autores começam compartilhando textos nas redes sociais e, depois, transformam essas publicações em livros, fazendo o caminho inverso: das telas para o papel.
"Nós estamos agora num processo de caminho inverso. Entendemos que o meio tecnológico é um grande aliado porque muitas vezes ele capta leitores que nem sempre liam no livro físico. E esses mesmos autores acabam materializando seu trabalho no formato impresso. O livro físico continua sendo muito atraente. A prova disso é que só este ano movimentamos cerca de 300 mil pessoas ao longo de dez dias de Salipi, todas em busca do livro”, conclui o presidente da Fundação Quixote.