O Piauí acompanha a tendência nacional de redução nos casos de celulares roubados e furtados, mas segue no mesmo ritmo o crescimento dos golpes digitais aplicados por meio desses aparelhos, como fraudes no Pix, troca de senhas bancárias e contato de falsas centrais de atendimento. O cenário apontado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado na última semana, reforça um movimento também observado em outros estados: enquanto o crime de rua recua, a fraude digital ganha espaço.
Em 2025, o estado registrou uma média de três golpes por dia, totalizando 1.125 casos contra 888 em 2024, aumento de 26,4%. Em todo o Brasil, foram 2.261.055 golpes no mesmo ano, alta de 20,6% em relação a 2024.
Na direção oposta, os roubos e furtos de celular caíram 17,8% no Piauí. Foram 14.579 casos em 2024 contra 12.018 em 2025. Apesar da redução, Teresina aparece na 10ª posição nacional entre cidades com mais de 100 mil habitantes em número de aparelhos subtraídos, com taxa de 975,3 por 100 mil habitantes, o que indica que a maior parte desses crimes segue concentrada na capital.
Uma pesquisa do IPESPE, feita a pedido do Observatório da Febraban, mostra os golpes mais recorrentes no país: clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%), golpe do Pix (24%), uso indevido de CPF via SMS (13%) e leilão ou loja falsa (10%).
Segundo o levantamento, os criminosos recorrem à engenharia social, conjunto de técnicas usadas para convencer a vítima a revelar dados, instalar aplicativos, entregar cartões ou fazer transferências. Em vez de burlar sistemas de segurança, o golpista explora emoções como medo, urgência ou expectativa de ganho, fazendo a própria vítima executar uma operação que parece legítima.
Um relatório da BioCatch, divulgado em abril deste ano e que analisa a tendência na América Latina, usou como base dados de 36 instituições financeiras que atendem mais de 300 milhões de clientes na região, incluindo o Brasil. O estudo apontou expansão das fraudes por engenharia social, com crescimento de 155% nas tentativas de golpe no continente apenas no último ano.
Os golpes mais comuns
Clonagem ou troca de cartão: dados capturados por páginas falsas, maquininhas adulteradas ou vazamentos, usados depois em compras não autorizadas. Na troca, o criminoso substitui o cartão da vítima por outro semelhante durante uma compra.
Golpe do WhatsApp: o golpista se passa por um contato conhecido, geralmente com número trocado, e pede dinheiro com urgência. Em outros casos, assume o controle da conta real após obter o código de verificação.
Falsa central bancária: ligações ou mensagens informando compras suspeitas ou invasão da conta induzem a vítima a passar senhas, instalar programas de acesso remoto ou transferir valores para uma suposta conta segura.
Golpe do Pix: engloba fraudes que usam o Pix para transferência rápida dos valores, como falsos conhecidos, vendas inexistentes, comprovantes adulterados e QR Codes ou chaves substituídas.
Uso indevido de CPF via SMS: mensagens sobre pendências no CPF levam a páginas fraudulentas ou contatos falsos, onde a vítima fornece dados pessoais e bancários.
Leilão ou loja falsa: páginas e perfis simulam lojas ou leilões legítimos com preços abaixo do mercado. Após o pagamento, o produto não é entregue e o anunciante desaparece.