Uma piauiense natural de Floriano foi submetida a um procedimento cirúrgico raro no Hospital Getúlio Vargas, em Teresina, para tratar a doença conhecida como a pior dor do mundo. Trata-se da neuralgia do trigêmeo, que faz a pessoa sentir um dor insuportável semelhante a sensação de choques e facadas na cabeça.
A paciente piauiense passou pela cirurgia na sexta-feira (12) e, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), passa bem e já está em casa se recuperando. “Eu sentia tanta dor que me impedia de fazer qualquer coisa, até escovar os dentes. Então procurei ajuda médica e vinha fazendo o tratamento, mas precisava passar por uma cirurgia. Foi quando fiz a consulta pelo SUS no HGV e consegui o procedimento”, explicou a paciente, que não teve o nome divulgado pelo hospital.
A cirurgia para tratar a pior dor do mundo envolveu uma equipe multidisciplinar e um serviço de referência em alta complexidade. Para o coordenador de Neurocirurgia do HGV, médico Antônio Carlos, o sucesso do procedimento realizado na paciente piauiense é motivo de orgulho para a Medicina do Estado. “Estamos preparados para resolver os casos mais raros e de maior complexidade. O objetivo é continuar sempre oferecer o melhor tratamento possível por meio do SUS”, afirma.
O que é a pior dor do mundo?
A pior dor do mundo ganhou destaque nas últimas semanas no Brasil após a influenciadora Carolina Arruda, que possui a doença, abrir vaquinha online para custear sua eutanásia na Suíça. Ela sofre com a Neuralgia do Trigêmeo desde os 16 anos. O neurocirurgião Leonardo Moura explica o que a doença.
“O nervo trigêmeo é responsável pela sensibilidade da fase e parte da boca. Quando o paciente apresenta esta doença, ele sente uma dor insuportável que chega a comprometer bastante a qualidade de vida. O tratamento inicial é fazendo uso de medicação, mas aos pacientes que não respondem a elas nós propomos algumas opções de tratamento cirúrgico”, explica.
A influencer Carolina Arruda, por exemplo, já passou por procedimentos de descompressão microvascular, neurólises por fenolização, e rizotomia por balão, mas nenhum deles apresentou resultados satisfatórios no sentido de aumentar sua qualidade de vida. A jovem decidiu pôr fim ao próprio sofrimento por meio da eutanásia na Suíça, um dos poucos países do mundo em que é permitido o suicídio assistido.
Na semana passada, Carolina foi internada em um clínica no Sul de Minas, onde passará por tratamento especializado com um plano terapêutico para amenizar as dores que sente.