O trabalhador em Teresina que recebe salário mínimo precisou de 12,5 dias de trabalho, ou 100 horas e 6 minutos, para conseguir comprar uma cesta básica completa em junho. O tempo é o maior registrado nos últimos meses e confirma uma trajetória de piora que já dura mais de um ano na capital piauiense.
Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quarta-feira (08), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O aperto no bolso do teresinense vem se intensificando aos poucos. Em maio, o mesmo trabalhador precisava de pouco menos de tempo para dar conta da compra, e a comparação com junho do ano passado também mostra o avanço do esforço: há um ano, o tempo necessário era de 97 horas e 27 minutos, quase 2 horas e 40 minutos a menos do que o registrado agora.
Por trás desse cenário está a alta constante nos preços dos alimentos básicos. A cesta básica teresinense já ultrapassa a casa dos R$ 700 e segue subindo mês a mês. Nos últimos doze meses, o acumulado chega a quase 10%, e apenas no primeiro semestre deste ano o aumento já supera os 14%, um ritmo que corrói o poder de compra da população mais rápido do que o salário consegue acompanhar.
Essa perda de poder de compra fica ainda mais evidente quando se olha para a renda líquida do trabalhador, já descontada a contribuição previdenciária. Hoje, quase metade do salário mínimo líquido é consumida apenas para colocar a cesta básica em casa, uma fatia que também vem crescendo mês após mês e que há um ano era sensivelmente menor.
Entre as 27 capitais pesquisadas, os maiores aumentos foram registrados em Boa Vista, seguida por Palmas, Rio Branco e Porto Alegre.
Nos últimos 12 meses, o leite integral esteve entre os produtos que mais aumentaram de preço. Entre as 22 capitais pesquisadas, Teresina registrou uma das maiores altas do país, ficando atrás apenas de Salvador. O cenário contrasta com o observado em outras praças, onde os preços dos derivados do leite já começam a recuar, impulsionados pelo aumento da oferta. Esse alívio, no entanto, ainda não chegou à mesa do consumidor piauiense.