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TSE propõe selo para premiar institutos que mais acertarem pesquisas nas eleições de outubro

Proposta de Kássio Nunes Marques ocorre após pesquisas eleitorais com resultados distantes da realidade em 2024, como em Teresina; Associação do setor criticou a premiação

14/07/2026 às 17h57

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, sugeriu nesta terça-feira (14) a criação de um selo para premiar os institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados das eleições de outubro. A proposta surge em meio a um cenário de diversos institutos que erraram e se distanciaram dos resultados das eleições municipais de 2024, como o caso de Teresina, onde a maioria das pesquisas apontava Fábio Novo (PT) como favorito à prefeitura da capital piauiense, com Silvio Mendes (UB) eleito em primeiro turno.

Criação do prêmio partiu do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques.  - (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil
Criação do prêmio partiu do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques.

Um levantamento da Revista Piauí mostrou que, na pré-campanha municipal de 2024, foram produzidos no Brasil mais levantamentos do que nas três eleições anteriores somadas. O Tribunal Superior Eleitoral contabilizou 4.244 pesquisas no período, e Teresina ficou entre as capitais que mais realizaram levantamentos, com 51 pesquisas apenas na pré-campanha.

A proposta do ministro, que é teresinense, foi apresentada durante reunião com representantes dos institutos de pesquisa. O encontro, no entanto, havia sido agendado para discutir novas balizas para a divulgação dos levantamentos, após a decisão do TSE que suspendeu uma pesquisa de intenção de voto da Atlas Intel para a Presidência da República.

Silvio Mendes foi eleito no primeiro turno, pesquisas apontavam vitória de Fábio Novo com larga vantagem.  - (Aquivo/ODIA) Aquivo/ODIA
Silvio Mendes foi eleito no primeiro turno, pesquisas apontavam vitória de Fábio Novo com larga vantagem.

Para Nunes Marques, o selo pode reconhecer o trabalho dos institutos que tiverem o maior grau de proximidade com os resultados oficiais das eleições. "Trata-se de um mecanismo que visa à valorização das boas práticas e ao permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais, por meio do reconhecimento público às empresas que demonstrarem elevada acurácia em seus resultados", justificou o ministro.

Com o anúncio, o TSE abriu prazo até sexta-feira (17) para que os institutos enviem sugestões sobre os critérios de escolha dos vencedores do selo. Por outro lado, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e ressaltou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas, não sendo "previsões nem promessas de resultado".

"Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal", afirmou a entidade.

A associação afirmou ainda que, com o selo, a Justiça Eleitoral passaria a atuar como árbitro da qualidade das pesquisas, e defendeu que iniciativas desse tipo sejam construídas em diálogo com a comunidade científica e os institutos, para não acabar estimulando práticas consideradas oportunistas, capazes de desvalorizar o rigor metodológico das pesquisas.