O Ibovespa opera em queda de 0,10% na manhã desta sexta-feira (17), cotado a R$ 173.644,23, em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante do cenário global de aversão a risco. O principal índice da bolsa brasileira registra variação negativa de R$ -181,04 em relação ao fechamento anterior, refletindo a pressão vendedora que se estende desde a sessão de quinta-feira.
Na abertura do pregão, o Ibovespa iniciou as negociações em R$ 173.644,23, oscilando entre a mínima de R$ 173.597,40 e a máxima de R$ 173.825,27. A amplitude restrita dos movimentos indica que os investidores aguardam novos catalisadores antes de assumir posições mais direcionais no mercado brasileiro.
Cenário externo pressiona mercados emergentes
O ambiente internacional contribui para a postura defensiva observada na B3. As bolsas europeias operam em baixa, com o setor de tecnologia liderando as perdas com queda de 2,9%, em meio a uma liquidação global de ações ligadas à inteligência artificial. A onda de vendas nos mercados da Ásia-Pacífico também ganhou força, com fabricantes de semicondutores ampliando as perdas diante de crescentes dúvidas sobre a sustentabilidade do boom de IA.
Além das preocupações com o setor de tecnologia, o apetite por risco permanece limitado pelo aumento das tensões geopolíticas. O sentimento do mercado foi afetado por mais um dia de ataques e contra-ataques no Oriente Médio, mantendo os preços do petróleo em níveis elevados e reacendendo preocupações com a inflação e o crescimento econômico global.
Agenda doméstica concentra atenções
No cenário interno, os investidores acompanham a divulgação de importantes indicadores econômicos. O IGP-10 registrou queda de 1,13% em julho, segundo a FGV, resultado que ficou abaixo da expectativa de deflação de 0,99% apontada em pesquisa da Reuters. O dado reforça o cenário de arrefecimento das pressões inflacionárias no atacado.
O mercado também aguarda a divulgação do IBC-Br de maio, indicador que funciona como prévia do PIB e oferece uma leitura atualizada sobre o ritmo da atividade econômica brasileira. A expectativa em pesquisa da Reuters é de estagnação no período. Um número fraco poderia validar temores de que a economia está desacelerando sob o peso da taxa Selic em 14,25%, fortalecendo argumentos para que o Copom retome os cortes de juros.
Análise técnica e perspectivas
Do ponto de vista técnico, o Ibovespa encerrou a última sessão com queda de 1,24%, aos 173.825 pontos, reforçando o cenário corretivo iniciado após a máxima histórica de 199.354 pontos. O índice perdeu uma das médias móveis de curto prazo e passou a negociar entre as médias de 9 e 21 períodos, sinalizando perda de força da recuperação recente.
Para que o Ibovespa retome o movimento de alta, analistas consideram fundamental o rompimento da faixa de resistência em 178.340/181.560 pontos. Em contrapartida, a perda dos suportes em 172.655/170.650 pontos poderá intensificar a pressão vendedora, abrindo espaço para testes em patamares mais baixos.
O índice está sendo negociado a 8,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um patamar 21% abaixo da média histórica de 10,5 vezes, o que reforça a leitura de que o mercado brasileiro segue descontado em relação aos padrões históricos. Ainda assim, a saída persistente de capital estrangeiro e as incertezas fiscais e eleitorais mantêm os investidores cautelosos quanto ao potencial de valorização no curto prazo.