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Ibovespa sobe 0,74% e supera 174 mil pontos com otimismo

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (3) em alta de 0,74%, aos R$ 174.070,27 pontos, registrando um ganho de R$ 1.282,65 pontos em relação ao fechamento anterior. O principal índice da bolsa brasileira voltou a superar a marca dos 174 mil pontos pela primeira vez em cerca de um mês, impulsionado pela expectativa de novos cortes na taxa Selic e pela ausência de pressão dos mercados norte-americanos.

A sessão foi marcada por baixa liquidez, uma vez que as bolsas de Nova York permaneceram fechadas em razão do feriado antecipado do Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado neste sábado (4). O volume financeiro totalizou R$ 12,62 bilhões, abaixo da média diária do Ibovespa. A abertura ocorreu em R$ 174.070,27, com a mínima do dia em R$ 172.790,39 e a máxima alcançando R$ 174.664,34.

Produção industrial fraca reforça aposta em corte da Selic

O principal catalisador para a alta do Ibovespa foi a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), que indicou queda de 0,2% na produção industrial em maio, resultado abaixo da previsão média de crescimento de 0,2% dos analistas. Este foi o primeiro recuo na produção industrial desde dezembro de 2025, segundo economistas consultados pelo mercado.

O dado mais fraco fortaleceu as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião do Copom em agosto. O BTG Pactual revisou sua projeção e agora espera dois cortes adicionais de 25 pontos-base nas próximas duas reuniões, levando a taxa a 13,75% ao ano ao fim de 2026. Antes, o banco trabalhava com manutenção da taxa em agosto.

Segundo Bruna Centeno, sócia advisor da Blue3 Investimentos, com os mercados dos EUA fechados, os investidores focaram na bolsa brasileira e na expectativa de redução de juros. A especialista destaca que sempre que dados de crescimento ou inflação ficam abaixo do esperado, o mercado aposta em menos pressão sobre os juros futuros.

Desempenho semanal e acumulado no ano

Com o resultado desta sexta-feira, o Ibovespa acumulou alta de 0,45% na semana, ampliando os ganhos para 8,03% em 2026. O índice registrou a segunda alta consecutiva na semana, alcançando seu nível mais alto desde o início de junho.

O dólar comercial também recuou, perdendo 0,76% e fechando cotado a R$ 5,168, refletindo o ambiente mais favorável para ativos de risco. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em baixa, em um movimento de correção após as fortes altas da véspera.

Destaques do pregão e perspectivas

Entre as principais ações do Ibovespa, Vale (VALE3) registrou alta de 0,51%, cotada a R$ 78,64. Os papéis da Petrobras (PETR4) subiram 0,55%, a R$ 38,19, enquanto Itaú (ITUB4) avançou 0,68%, a R$ 42,76. A Unit do BTG Pactual destacou-se com valorização de 2,38%.

Para os próximos meses, analistas apontam que o cenário segue desafiador, com hiato positivo, mercado de trabalho apertado e riscos como o El Niño intenso e as eleições de 2026. Contudo, a queda do petróleo e a reabertura do Estreito de Ormuz mitigaram pressões relevantes sobre o balanço de riscos, o que pode evitar uma nova piora substancial das expectativas de inflação.

O Boletim Focus mais recente aponta expectativa de Selic a 13,75% ao final de 2026 e 12,00% em 2027, com projeção de inflação de 5,30% para este ano, acima do teto da meta de 4,5%. O mercado segue atento aos próximos indicadores econômicos e à comunicação do Banco Central para calibrar suas posições.