A instalação de novas praças de pedágio em rodovias do Sul do Piauí foi tema de audiência pública realizada nesta quarta-feira (17) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). O debate reuniu prefeitos, vereadores, empresários e representantes da população da região, que demonstraram preocupação com os impactos econômicos da medida sobre moradores, trabalhadores e produtores rurais.
A discussão foi proposta pelo deputado estadual Gustavo Neiva (Progressistas), que questiona a ampliação da concessão rodoviária operada pela Concessionária CS Grãos do Piauí. Segundo o parlamentar, além das quatro praças de pedágio inicialmente previstas na rodovia Transcerrados, o Governo do Estado autorizou a inclusão de mais de 300 quilômetros de estradas estaduais no contrato, resultando na implantação de outras seis praças de cobrança.
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De acordo com Gustavo Neiva, a principal reclamação apresentada durante a audiência é o impacto financeiro sobre a população da região.
“Os prefeitos, vereadores e os empresários que são daquela região colocaram suas manifestações. E aqui, do outro lado, o Governo do Estado. O governo, só nesse aditivo que foi feito agora, incluindo para essa concessão mais de 300 quilômetros, porque o projeto original seria só para a Transcerrados, onde trafega a grande maioria dos veículos. Terminado essa Transcerrados, o governo incluiu um aditivo sem ouvir ninguém, sem escutar ninguém em mais 300 e tantos quilômetros e construindo mais seis praças de pedágio. E aí é onde está o gargalo, aí é onde está afetando a população, o cidadão comum”, disse.
Atualmente, os equipamentos já estão em operação em rodovias como as PIs 247, 391 e 392, consideradas estratégicas para o escoamento da produção agrícola do cerrado piauiense. Conforme a concessionária, a tarifa é de R$ 11,10 por eixo. Na prática, um veículo de passeio paga R$ 22,20 por praça de pedágio atravessada.
Neiva destacou ainda que muitos motoristas que trafegam pelas vias acabam desembolsando valores incomuns, o que acabaria comprometendo a situação financeira de muitos motoristas, produtores e empresários que trafegam diariamente pelas rodovias.
“De Baixa Grande do Ribeiro a Teresina você vai pagar quatro pedágios para vir e quatro para voltar. Se você está em Bertolínia e vai para Uruçuí você vai pagar dois pedágios para ir e dois voltar. Então, você está ilhando a cidade de Uruçuí, que é a cidade polo daquela região. Nós estamos falando aqui não só do grande produtor, nós estamos falando aqui do cidadão comum, que precisa se deslocar do seu interior para a cidade”, criticou.
Durante a audiência, lideranças municipais alertaram para possíveis prejuízos ao comércio regional, especialmente em Uruçuí, considerada polo econômico do extremo Sul do estado. Segundo os participantes, o aumento dos custos de deslocamento poderá afetar trabalhadores, comerciantes e moradores que dependem diariamente das rodovias para acesso a serviços, saúde e atividades econômicas.
A Parceria Público-Privada (PPP) é administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Piauí (DER-PI) e tem como objetivo garantir a manutenção e a melhoria das rodovias utilizadas pelo agronegócio. Os críticos da medida, no entanto, defendem que o Governo do Estado reveja a quantidade de praças previstas e promova novas discussões com a população antes da ampliação definitiva do sistema de cobrança.
Outro lado
A reportagem do O Dia tentou falar com o representante da Secretaria de Administração (SEAD) do Piauí, que estava presente na audiência pública. Porém, ele informou que não iria dar entrevista. O espaço segue aberto para futuras manifestações.