A 24ª edição do Salão do Livro do Piauí (Salipi) chegou ao fim nesse domingo (14) com um encerramento à altura dos dez dias de programação que reuniram mais de 300 mil pessoas no Espaço Rosa dos Ventos, na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Escolhido para fechar o maior evento literário do estado, Nando Reis levou ao palco um repertório marcado por canções que atravessam gerações.
Famílias, estudantes, casais, jovens e idosos dividiram o gramado da UFPI enquanto aguardavam o artista. Quando os primeiros acordes começaram a soar, vozes de diferentes idades se uniram naturalmente. A cena se repetiu ao longo da noite em músicas como "Pra Você Guardei o Amor", "Relicário", "Por Onde Andei" e "All Star Azul", confirmando a força de um repertório que permanece vivo na memória dos brasileiros.
A presença de Nando Reis no encerramento do Salão do Livro do Piauí (SaLiPi) também reforçou uma faceta menos conhecida do grande público: a de escritor. Reconhecido pela força poética de suas composições, o artista mantém uma relação próxima com a literatura e já publicou obras como “Pré-Sal”, inspirado no álbum homônimo, “Cantigas”, “Caçandoas” e o livro infantil “Meu Pequeno São Paulino”.
Em entrevistas ao longo da carreira, Nando costuma afirmar que seu principal ofício é escrever, transformando palavras em canções, poemas e reflexões que atravessam gerações.
Durante a apresentação em Teresina, o público também acompanhou canções que nasceram da parceria entre Nando Reis e Samuel Rosa, ex-vocalista do Skank. Entre elas estavam “Resposta”, “Dois Rios” e “Sutilmente”, sucessos que ajudaram a aproximar o compositor de diferentes gerações de ouvintes.
Um dos momentos mais simbólicos da noite aconteceu quando Sebastião Reis, filho do cantor, dividiu o palco com o pai como guitarrista e vocalista durante a execução de “O Mundo é Bão Sebastião”, composição escrita por Nando em homenagem ao filho quando ele ainda era criança. Sebastião participou de todo o show, fazendo inclusive momentos solo, mas a sua participação em O Mundo é Bão teve um significado especial.
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A música nasceu de uma frase repetida pela mãe do menino, Vânia Reis, que costumava incentivá-lo dizendo: “Ô, Sebastião, se alegra. O mundo é bão”. A presença de Sebastião no palco evidenciou a transmissão de afetos por meio da música, uma das marcas da trajetória de Nando Reis.
Atualmente, o artista percorre o país com a turnê "Nando Hits", espetáculo que reúne os principais sucessos da carreira, incluindo composições do período em que integrou os Titãs. No Salipi, a seleção de músicas atravessou décadas de produção artística e evidenciou a relação construída com diferentes públicos ao longo do tempo.
Para quem acompanha sua trajetória, essa conexão não é surpresa. Integrante dos Titãs entre 1982 e 2002, Nando Reis consolidou também uma carreira de destaque como compositor, assinando canções gravadas por nomes como Marisa Monte, Cássia Eller, Carlinhos Brown e Ana Cañas. Com mais de quatro décadas de carreira, mais de dez álbuns lançados e dois Grammys Latinos, Nando Reis segue como um dos principais nomes da música brasileira.
O DIA: “Suas músicas atravessam gerações. Como você percebe, atualmente, essa conexão com o público?”
Nando Reis: “Eu acho que isso fica mais fácil de perceber nos shows, porque é justamente ali que a música adquire seu protagonismo e promove esse encontro. Porque dizer do outro lado é uma coisa um pouco abstrata. Você lança, sabe que as pessoas ouvem, mas é no show que eu tenho esse contato e essa consciência mais concreta do que significa uma música que fala com diferentes gerações."
O DIA: “Qual livro, de imediato, vem à sua cabeça como uma obra que o inspirou não apenas como escritor, mas também como músico? Um livro que você leu e pensou: 'isso aqui daria uma letra de música'?”
Nando Reis: “Nossa, essa é uma pergunta difícil, porque a composição e a criação vêm de todo o material que você lê, observa e acumula numa espécie de depósito de referências. Mas vou citar A Idade do Serrote, do Murilo Mendes.”
Entrevistador: “Qual é o significado de participar de um evento tão importante para a literatura? Porque o senhor não é apenas músico, também é escritor e tem uma autobiografia publicada. Qual é a importância desse evento?”
Nando Reis: “É enorme. Promover a literatura, realizar feiras e apresentar autores é algo de grande importância. A literatura é o que permite que as pessoas se desenvolvam, se conheçam e adquiram a possibilidade de se relacionar com o mundo de forma original e própria. Ter sido convidado para participar é uma honra. Meu trabalho, como compositor, está diretamente relacionado à palavra, então eu me sinto muito bem aqui, digamos, no lugar certo.”
O DIA: “E o que o público pode esperar dos shows desta turnê?”
Nando Reis: “O público pode esperar o meu envolvimento, a minha entrega e a minha alegria. Esse momento é o mais importante na carreira de um artista, porque é quando ele pode oferecer aquilo que pretende transmitir. Espero estar presente de forma verdadeira e que todos gostem e se divirtam.”