Portal O Dia

Os mais ricos de Teresina ganham até 18 vezes mais que os mais pobres, diz pesquisa

Os 10% mais ricos de Teresina ganham, em média, 18 vezes mais do que os 40% mais pobres. O dado consta no boletim Desigualdade nas Metrópoles, divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Observatório das Metrópoles em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social da América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

O cenário de desigualdade social na capital também se reflete em outro indicador: o coeficiente de Gini. Teresina alcançou índice de 0,563 em 2025, o terceiro maior entre todas as regiões metropolitanas analisadas. Apenas Brasília (0,570) e Natal (0,565) registraram resultados mais elevados.

Assis Fernandes/O Dia
Os mais ricos de Teresina ganham até 18 vezes mais que os mais pobres, diz pesquisa

O coeficiente de Gini mede o grau de desigualdade na distribuição de renda de uma população. O indicador varia de zero a um. Quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a distribuição de renda. Quanto mais próximo de um, maior é a concentração de renda e, consequentemente, a desigualdade.

De acordo com o Observatório das Metrópoles, os dados mostram que, apesar da melhora em alguns indicadores econômicos, a distância entre os extremos da população continua elevada. “Enquanto parte dos moradores ampliou seus ganhos, a renda permanece concentrada em uma parcela menor da população”, destaca o estudo.

Desigualdade persiste apesar da melhora da renda

O levantamento revela um cenário que não é exclusivo de Teresina, mas que se repete em diferentes regiões do país. Em 2025, a renda média domiciliar per capita das regiões metropolitanas brasileiras alcançou R$ 2.766, o maior valor da série histórica iniciada em 2012. Ao mesmo tempo, a desigualdade voltou a crescer. O coeficiente de Gini médio das metrópoles brasileiras chegou a 0,541.

Para o economista Francisco Sousa, a redução da pobreza não significa necessariamente uma diminuição imediata da desigualdade de renda. Segundo ele, a concentração de renda é um fenômeno histórico e tende a ser reduzida apenas com políticas públicas permanentes a longo prazo.

Diminuir a pobreza por si só não vai trazer a igualdade de renda. Historicamente, existe uma distância muito grande entre quem está no topo e quem está na base da pirâmide

Francisco SousaEconomista
Assis Fernandes/O Dia
Francisco Sousa, economista

Francisco avalia que o desempenho de Teresina chama atenção por colocá-la entre as regiões metropolitanas mais desiguais do país, mesmo diante de características econômicas semelhantes às de outras capitais nordestinas. De acordo com o economista, a própria dinâmica econômica dos últimos anos pode ajudar a explicar o resultado.

O especialista afirma que a retomada da atividade econômica e o crescimento de determinados setores pode ter beneficiado de forma mais intensa os grupos de renda mais elevada. “Mesmo com a diminuição da pobreza, as pessoas que já estavam em uma faixa de renda mais alta conseguiram aproveitar melhor esse momento econômico e ampliar seus rendimentos”, explica.

Na avaliação de Francisco, fatores como escolaridade, ocupação profissional e acesso a oportunidades influenciam diretamente quem consegue se beneficiar mais dos períodos de expansão econômica. Para reduzir a desigualdade de renda, o economista defende a combinação de políticas de transferência de renda com medidas voltadas à educação, qualificação profissional e incentivo ao empreendedorismo.

“É preciso garantir suporte para quem tem baixa renda, mas também criar condições para que essas pessoas possam crescer, com educação, qualificação, acesso ao crédito e inserção no mercado formal de trabalho", conclui.

Marcello Casal JrAgência Brasil
Os mais ricos de Teresina ganham até 18 vezes mais que os mais pobres, diz pesquisa

Pobreza recua no país

Outro dado que chama atenção é a redução da pobreza. A proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza nas regiões metropolitanas caiu para 18,4% da população, o equivalente a 15,2 milhões de pessoas. Desde 2021, mais de 10 milhões de brasileiros deixaram essa condição.

O estudo também mostra que a extrema pobreza recuou. Em 2025, cerca de 3,2% da população das regiões metropolitanas vivia com renda considerada insuficiente para suprir necessidades básicas. Trata-se de um dos menores índices já registrados pela pesquisa.

Segundo os pesquisadores, os resultados apontam avanços na recuperação da renda e na redução da pobreza. No entanto, os ganhos ainda não foram suficientes para diminuir de forma significativa a distância entre os grupos de maior e menor renda.

O boletim analisou dados de 22 regiões metropolitanas brasileiras e considerou não apenas os rendimentos do trabalho, mas também aposentadorias, benefícios sociais e outras fontes de renda declaradas pelos domicílios.