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Tratamento contra câncer com 87,5% de eficácia pode chegar ao SUS; entenda

Nova terapia CAR-T Cell entrou em fluxo prioritário na Anvisa e apresentou resultados promissores em pacientes com cânceres do sangue, como linfoma não Hodgkin.

15/06/2026 às 09h01

Um tratamento inovador contra o câncer que apresentou 87,5% de eficácia em pacientes com cânceres do sangue poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante um evento em São Paulo na última semana, onde também foi informado um investimento de R$ 100 milhões para ampliar o desenvolvimento da terapia CAR-T Cell no Brasil.

A tecnologia entrou no fluxo prioritário do Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa considerada importante para acelerar a análise regulatória do tratamento. A expectativa é que, após a conclusão dos estudos clínicos e eventual aprovação dos órgãos responsáveis, a terapia possa ser oferecida aos pacientes da rede pública.

Tratamento contra câncer com 87,5% de eficácia pode chegar ao SUS; entenda - (Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil) Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil
Tratamento contra câncer com 87,5% de eficácia pode chegar ao SUS; entenda

Os resultados preliminares foram obtidos em pacientes atendidos pelo SUS que participaram de pesquisas conduzidas pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan. Os dados indicam que aproximadamente nove em cada dez pacientes apresentaram redução significativa ou desaparecimento dos tumores após o tratamento.

Segundo Alexandre Padilha, os resultados são considerados animadores porque os participantes já haviam passado por diferentes linhas terapêuticas, como quimioterapia, radioterapia e transplante, antes de receber a nova imunoterapia.

Como funciona a terapia CAR-T Cell

Diferentemente da quimioterapia e da radioterapia, que atuam diretamente sobre as células cancerígenas e podem afetar tecidos saudáveis, a terapia CAR-T Cell utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater a doença.

O tratamento começa com a coleta de glóbulos brancos por meio de uma amostra de sangue. Entre essas células estão os linfócitos T, responsáveis pela defesa do organismo contra agentes invasores.

Em laboratório, esses linfócitos passam por uma modificação genética que os torna capazes de identificar e atacar células cancerígenas específicas. Depois desse processo, as células são multiplicadas e reinfundidas na corrente sanguínea do paciente.

A partir daí, os linfócitos modificados passam a reconhecer o câncer e combatê-lo de forma mais direcionada. Por utilizar mecanismos do próprio sistema imunológico, o tratamento é classificado como uma imunoterapia avançada.

Quais tipos de câncer podem ser tratados

O projeto brasileiro concentra os estudos em dois tipos agressivos de câncer hematológico. Um deles é a leucemia linfoide aguda de células B, que afeta a produção de células sanguíneas na medula óssea.

O outro é o linfoma não Hodgkin de células B, um grupo de tumores que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte da defesa do organismo.

Os primeiros resultados divulgados envolvem principalmente pacientes com linfoma que já haviam tentado outras formas de tratamento sem sucesso satisfatório.

Até o momento, 25 pacientes receberam a terapia dentro do estudo clínico. O projeto prevê atender 81 pessoas até o final deste ano, sendo que 75 já estão cadastradas para participar da pesquisa.

Tratamento custa cerca de R$ 500 mil no exterior

Um dos fatores que mais chama atenção é o custo da terapia fora do Brasil. Tratamentos semelhantes disponíveis internacionalmente podem chegar a cerca de US$ 500 mil por paciente, valor que ultrapassa R$ 2,7 milhões na cotação atual.

A produção nacional é vista pelos pesquisadores como uma forma de reduzir custos e ampliar o acesso à tecnologia. Os vetores utilizados no tratamento foram patenteados pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e pela USP.

A expectativa é que a fabricação brasileira seja realizada por meio do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera), estrutura criada para desenvolver tecnologias de alta complexidade no país.

Embora os resultados sejam considerados promissores, a terapia ainda precisa concluir as etapas de pesquisa e passar pelos processos regulatórios antes de ser disponibilizada de forma ampla na rede pública. Enquanto isso, os estudos continuam acompanhando novos pacientes para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento em um número maior de pessoas.

Com edição de Ithyara Borges