O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (24), refletindo o ambiente de cautela nos mercados globais. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira registrava 175.310,44 pontos, uma desvalorização de 0,80%, equivalente a uma perda de R$ 1.413,18 pontos em relação ao fechamento anterior.
A sessão começou com o Ibovespa abrindo aos 175.310,44 pontos, oscilando entre a mínima de 175.004,45 pontos e a máxima de 176.719,62 pontos. O movimento de baixa acompanha a tendência negativa observada nos mercados internacionais, em meio a preocupações com as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Tarifas dos EUA e cenário externo pressionam o índice
O ambiente externo segue como principal fator de pressão sobre o Ibovespa. Os investidores monitoram os desdobramentos das tarifas americanas que entraram em vigor em 22 de julho, afetando setores como vestuário, calçados, autopeças e equipamentos elétricos. Produtos estratégicos como minério de ferro, café e carnes bovinas foram poupados da taxação.
Na sessão anterior, o índice já havia recuado 0,46%, fechando aos 176.723 pontos, acompanhando as perdas em Wall Street. O S&P 500 caiu 1,21% e o Nasdaq recuou 2,2%, em movimento de rotação que penalizou ações de crescimento e impactou mercados emergentes.
O dólar comercial oscila próximo a R$ 5,08, enquanto os juros futuros apresentam recuo. O petróleo Brent, após superar os US$ 100 por barril em meio às tensões no Oriente Médio, opera em leve queda, mas caminha para uma semana de fortes ganhos.
Expectativas para o Copom e dados econômicos
No cenário doméstico, os investidores aguardam a divulgação do índice de confiança do consumidor de julho, prevista para as 11h. O dado é considerado importante para calibrar as expectativas sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para agosto.
A pesquisa Focus projeta inflação de 5,16% para o final de 2026, ainda distante da meta de 3%. Economistas estimam que a taxa Selic deve encerrar o ano entre 12,4% e 13,5%, indicando um ciclo de afrouxamento monetário gradual. O Banco Central cortou a Selic em 25 pontos-base na reunião de junho, para 14,25%.
Do ponto de vista técnico, analistas apontam que o Ibovespa permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, mantendo estrutura favorável aos compradores no curto prazo. Para retomar o movimento de alta, o índice precisaria romper a faixa de resistência entre 178.340 e 181.560 pontos.
Valuation atrativo, mas sem comprador marginal
Apesar da correção recente, o mercado brasileiro segue negociado com desconto significativo em relação à média histórica. O Ibovespa é negociado a 8,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar 21% abaixo da média histórica de 10,5 vezes.
Desde as máximas registradas em abril, quando o índice atingiu 198.657 pontos, o Ibovespa acumula correção em torno de 13,5%. O movimento foi intensificado pela saída de capital estrangeiro, fortalecimento do dólar e reprecificação da curva de juros diante de um ambiente global menos favorável.
Investidores institucionais locais e pessoas físicas têm absorvido parte da oferta de ações, mas analistas destacam que o desconto do Brasil só deve se converter em fluxo comprador quando houver maior clareza sobre o cenário fiscal e a governança financeira do país. A sessão desta sexta-feira reflete esse impasse entre fundamentos atrativos e ausência de catalisadores de curto prazo.