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Ibovespa recua 1,24% e perde os 170 mil pontos nesta quarta

Índice opera em baixa pressionado pela queda de commodities como petróleo e minério de ferro no primeiro pregão de julho, com investidores atentos a dados de atividade no exterior

01/07/2026 às 10h31

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (1º), primeiro pregão do segundo semestre de 2026, pressionado pela baixa das commodities e pelo recuo dos futuros de Wall Street. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira registrava desvalorização de 1,24%, aos R$ 169.885,20 pontos, com perda de R$ 2.138,92 em relação ao fechamento anterior.

O movimento de baixa reflete a pressão sobre papéis ligados a petróleo e minério de ferro, que recuam no mercado internacional. Os contratos futuros do Brent operavam em leve queda, cotados próximos a US$ 72,89 por barril, enquanto o minério de ferro permanece abaixo dos US$ 101 por tonelada, acumulando perdas superiores a 8% no último mês.

Cenário internacional pressiona mercados emergentes

O Ibovespa acompanha a divulgação de indicadores econômicos relevantes nesta sessão. No radar dos investidores estão o CPI da zona do euro, os PMIs industriais na Europa, Reino Unido, Brasil e Estados Unidos, além do relatório ADP de emprego do setor privado americano, considerado uma prévia do payroll oficial previsto para amanhã.

O índice oscilou entre a máxima de R$ 172.017,17 e a mínima de R$ 169.665,53 durante a manhã, demonstrando volatilidade típica de início de mês e semestre. A abertura foi registrada em R$ 169.885,20, já refletindo o tom negativo dos mercados globais desde os primeiros negócios.

As incertezas geopolíticas também permanecem no radar. As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem em andamento, mas sem um acordo definitivo, o que mantém a cautela entre os investidores. A perspectiva de avanço nas tratativas já havia contribuído para a queda do petróleo nas últimas semanas.

Semestre anterior terminou com perdas acumuladas

O Ibovespa encerrou junho com queda de 1,01% e o segundo trimestre com baixa de 8,24%, embora ainda preserve valorização de 6,76% no acumulado do ano. No último pregão de junho, o índice fechou aos 172.024,12 pontos, pressionado pelas ações de Petrobras, Vale e dos grandes bancos.

O fluxo estrangeiro também preocupa. O Ibovespa perdeu cerca de R$ 8,7 bilhões em recursos de investidores internacionais em junho, marcando o quarto mês consecutivo de saída líquida. O cenário de juros elevados nos Estados Unidos e as incertezas fiscais domésticas têm afastado capital externo da bolsa brasileira.

No cenário doméstico, a pesquisa Focus do Banco Central manteve a projeção do IPCA para 2026 em 5,33% e da Selic em 14% ao final do ano. Os dados do Caged divulgados na véspera mostraram abertura de apenas 72.960 vagas formais em maio, abaixo das expectativas, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica.

Perspectivas para o segundo semestre

O mercado agora volta suas atenções para os eventos que podem definir a trajetória do Ibovespa nos próximos meses. No calendário estão a decisão do Federal Reserve em 29 de julho, a assembleia de acionistas da Vale em 22 de julho para votar sobre a presidência do conselho, e a próxima reunião do Copom em 4 e 5 de agosto.

As eleições presidenciais brasileiras de outubro também começam a entrar no radar dos investidores. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta manhã aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% do senador Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.

Analistas destacam que, apesar da volatilidade recente, o Ibovespa conseguiu preservar ganhos no acumulado do ano mesmo diante de um cenário desafiador, com guerra no Oriente Médio, mudanças na política monetária americana e incertezas fiscais no Brasil. A continuidade da queda do petróleo e a eventual retomada do fluxo estrangeiro serão determinantes para a performance do índice no segundo semestre.