As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) operam em leve queda nesta segunda-feira (22), cotadas a R$ 38,72, com recuo de 0,21% em relação ao fechamento anterior. O papel registra desvalorização de R$ 0,08 no dia, refletindo a pressão exercida pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
No pregão desta manhã, a PETR4 abriu cotada a R$ 38,75 e oscilou entre a mínima de R$ 38,70 e a máxima de R$ 38,91. O movimento de baixa acompanha a tendência observada nas últimas semanas, quando os papéis da estatal passaram por correção após atingirem patamares elevados durante o período de maior tensão geopolítica no Oriente Médio.
Petróleo Brent pressiona ações da Petrobras
A cotação do petróleo Brent opera próxima de US$ 78 por barril, em movimento de queda que reflete o otimismo do mercado com os avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O acordo de 14 pontos assinado entre as partes prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo mundial.
A normalização dos fluxos de suprimento no Golfo Pérsico tem levado os investidores a reduzir o prêmio de risco geopolítico que havia sido incorporado aos preços da commodity desde o início do conflito, em fevereiro. O Goldman Sachs revisou sua projeção para o Brent para US$ 80 por barril no quarto trimestre de 2026, ante estimativa anterior de US$ 90.
Cenário macroeconômico e Boletim Focus
No cenário doméstico, o mercado acompanha a divulgação do Boletim Focus desta segunda-feira, que trouxe nova elevação nas projeções de inflação. Para 2026, a estimativa do IPCA subiu de 5,30% para 5,33%, enquanto a expectativa para a taxa Selic permanece em 14% ao ano. O Ibovespa futuro opera em queda, negociado próximo aos 171 mil pontos.
A PETR4 acumula valorização expressiva em 2026, tendo iniciado o ano na casa dos R$ 30,36 e apresentando ganhos superiores a 27% no período. No entanto, o papel passou por correção nas últimas semanas, recuando das máximas históricas atingidas em abril, quando a empresa chegou a ser avaliada em R$ 680 bilhões em valor de mercado.
Dividendos e perspectivas para investidores
A Petrobras segue como uma das maiores pagadoras de dividendos entre as petroleiras globais. A segunda parcela dos juros sobre capital próprio (JCP) referente ao exercício de 2025, no valor de R$ 0,31 por ação, tem crédito previsto para hoje, 22 de junho de 2026. Nos últimos 12 meses, a empresa distribuiu aproximadamente R$ 3,69 por ação em proventos, resultando em um dividend yield de cerca de 7,58%.
Analistas do BTG Pactual mantêm recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 62 para dezembro de 2026, o que representa um potencial de valorização superior a 60% em relação aos níveis atuais. A XP Investimentos também recomenda compra, destacando que a tese de investimento oferece bom retorno via geração de caixa livre e dividendos que podem superar 10% ao ano caso os preços do petróleo permaneçam acima de US$ 65 por barril.
Entre os principais riscos para a tese, os analistas citam a possibilidade de queda adicional nos preços do petróleo, riscos operacionais inerentes à produção offshore e eventual aumento do Capex previsto no plano estratégico da companhia para projetos de transição energética.