O inverno de 2026 começa neste domingo (21) e deve ser marcado por calor acima da média, pouca chuva e maior risco de queimadas em diversas regiões do Piauí. A previsão está associada ao fortalecimento do fenômeno El Niño, oficialmente confirmado neste mês e que já começa a influenciar o regime de chuvas e temperaturas no Nordeste.
Segundo projeções meteorológicas, o estado deve enfrentar uma estação mais quente e seca que o habitual. Embora o inverno seja tradicionalmente um período de poucas chuvas no Piauí, especialistas apontam que o fenômeno climático pode intensificar esse padrão nos próximos meses.
As dúvidas sobre o comportamento da estação movimentaram os brasileiros na internet. Somente na manhã desta quinta-feira (18), pesquisas relacionadas ao início do inverno ultrapassaram 5 mil buscas no Google.
Impactos de El Niño no Piauí
De acordo com o diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, o El Niño está em formação e seus efeitos devem se tornar mais perceptíveis a partir do fim de junho. Segundo ele, o fenômeno deve influenciar a atmosfera, os ventos e o regime de chuvas ao longo dos próximos meses.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. O fenômeno costuma alterar os padrões climáticos em várias partes do mundo e geralmente está associado à redução das chuvas no Nordeste brasileiro.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a chegada do fenômeno na última semana. O órgão estima 63% de probabilidade de que ele alcance intensidade muito forte, podendo figurar entre os eventos mais significativos desde 1950.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que os próximos meses terão volumes de chuva abaixo da média em áreas do norte do Piauí. Ao mesmo tempo, as temperaturas devem permanecer acima dos padrões históricos em todo o Nordeste.
Os maiores desvios de temperatura são esperados justamente no sudoeste piauiense, onde os termômetros podem registrar médias entre 1°C e 2°C acima do normal para a época.
O Inmet também prevê um agravamento do déficit hídrico no estado durante o inverno. Em junho, os maiores impactos devem atingir áreas do Maranhão e do Piauí. Em julho e agosto, a área afetada pela falta de chuva tende a se expandir para outros estados nordestinos.
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Risco de queimadas
Entre as regiões que exigem maior atenção está o MATOPIBA, área que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Meteorologistas alertam para o aumento do risco de ondas de calor e para o atraso das chuvas da primavera.
Esse cenário favorece o surgimento e a propagação de incêndios florestais. Embora a expectativa seja de uma temporada menos severa do que em anos recentes em algumas regiões do país, focos de queimadas já começaram a ser registrados em áreas do MATOPIBA.
A Defesa Civil também alerta para os riscos associados ao período mais seco. Entre as recomendações estão economizar água, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e não utilizar fogo para limpeza de terrenos ou descarte de lixo.
A estação segue até setembro e deve manter o padrão de predomínio de sol, baixa umidade do ar e poucas chuvas em grande parte do território piauiense.