O engasgo é uma das principais causas de acidentes domésticos envolvendo crianças pequenas e pode colocar a vida em risco em poucos minutos. Na última quinta-feira (16), um menino de apenas 3 anos precisou ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após engasgar com um carrinho de brinquedo de metal, em Campo Maior. O objeto ficou preso na garganta da criança e provocou obstrução das vias aéreas.
O caso serve de alerta para que pais, responsáveis e cuidadores saibam identificar rapidamente um engasgo e conheçam as manobras corretas para desobstruir as vias respiratórias enquanto o atendimento especializado não chega. Segundo o técnico de enfermagem do Samu, Girleno França, a aplicação das técnicas deve ser feita de acordo com a idade da vítima. Em bebês de colo, o protocolo de atendimento foi atualizado pela Associação Americana do Coração (AHA) há menos de um ano.
A atualização foi feita porque, na grande maioria dos casos, crianças de colo se engasgam com líquidos, como leite materno, água ou suco. A abordagem inicial é utilizar um pano limpo e seco para enxugar a boca da criança. Em algumas situações, isso já resolve o problema
Caso a criança continue sem conseguir respirar, a orientação é utilizar a gravidade para ajudar na desobstrução das vias aéreas. Nesse caso, deve-se apoiar a cabeça da criança entre o polegar e o indicador, inclinar o corpo com a cabeça voltada para baixo e dar cinco tapas nas costas, na região entre as escápulas. Normalmente, até a quinta tapotagem a criança consegue se desengasgar.
Se a obstrução persistir, é necessário realizar cinco compressões torácicas. Segundo o socorrista, a pressão gerada ajuda a expulsar o objeto ou líquido que impede a passagem de ar.
“Quando ela consegue se desengasgar, geralmente vem um choro bem forte. A criança só consegue chorar porque voltou a respirar. Mesmo assim, ela deve ser levada ao hospital para avaliação médica, porque pode ter ocorrido alguma complicação em decorrência do tempo em que ficou sem respirar”, orienta.
Girleno França alerta que o tempo faz toda a diferença durante um episódio de engasgo. Como o oxigênio deixa de chegar ao cérebro, a criança pode perder a consciência e evoluir para uma parada cardiorrespiratória.
“Ela engasgou, fechou a via aérea, não passa ar. Consequentemente, vai ter um quadro de hipóxia. Dependendo do tempo, pode evoluir com perda da consciência e aí já precisamos iniciar outra abordagem, com compressões torácicas”, explica.
Como agir em caso de engasgo em adultos
Nos adultos, o atendimento segue outro protocolo. Nesse caso, o primeiro passo é estimular a vítima a tossir. Via de regra, o adulto normalmente faz o sinal clássico de levar as mãos à garganta. A primeira coisa é estimular que ele tussa, pois, muitas vezes, só isso já faz com que ele expulse o corpo estranho. Se a tosse não resolver, devem ser aplicados cinco tapas entre as escápulas.
“Se ainda assim não der certo, fazemos a compressão abdominal, abaixo do esterno, conhecida como manobra de Heimlich. Essa pressão costuma expulsar o objeto que está obstruindo a via aérea”, explica o técnico de enfermagem do Samu.
Caso a vítima perca a consciência, a orientação é colocá-la no chão e iniciar imediatamente as compressões torácicas, enquanto outra pessoa aciona o Samu.
Acione o Samu o mais rápido possível
Assim que for detectado que a vítima está em situação de engasgo, deve-se contactar imediatamente o Samu. Durante a ligação, o médico regulador irá fornecer as informações corretas que podem reduzir o tempo de resposta da equipe.
“As informações mais importantes são a natureza da ocorrência, se a pessoa está consciente ou não, um ponto de referência conhecido, de preferência um cruzamento de ruas, além da idade, sexo e se a vítima possui alguma doença de base. Essas informações ajudam o médico regulador a definir qual equipe deve ser enviada”, explica Girleno.
O que nunca fazer em caso de engasgos
Apesar de ainda ser uma prática comum, oferecer água, farinha ou qualquer outro alimento durante um engasgo pode agravar a situação. O técnico de enfermagem do Samu, Girleno França reforça que, em situações de engasgo, não se dá nada para comer ou beber à vítima. Ele reforça que conhecer as manobras corretas pode fazer toda a diferença até a chegada do atendimento especializado.
“Se oferecer água ou farinha, você só vai piorar a obstrução. O líquido ainda pode ir para o pulmão e causar uma broncoaspiração, que é uma condição muito grave. Quanto mais rápido a pessoa reconhecer o engasgo e realizar a manobra adequada, maiores são as chances de evitar complicações e salvar uma vida”, conclui Girleno França.