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Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito

Conforme a direção, a medida foi adotada porque os repasses destinados ao atendimento oncológico não cobrem os custos dos serviços prestados pela instituição.

06/07/2026 às 12h45

A suspensão da admissão de novos pacientes oncológicos no Hospital São Marcos seguirá por tempo indeterminado. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6), a direção da unidade informou que trabalha para obter uma linha de crédito emergencial que permita manter o atendimento dos pacientes que já estão em tratamento. Segundo o hospital, a retomada das novas admissões depende de uma complementação mensal de R$ 4,2 milhões, além dos recursos atualmente recebidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito

A interrupção da entrada de novos pacientes foi anunciada na última sexta-feira (3). Conforme a direção, a medida foi adotada porque os repasses destinados ao atendimento oncológico não cobrem os custos dos serviços prestados pela instituição.

Segundo o diretor técnico do Hospital São Marcos, Marcelo Martins, a prioridade neste momento é preservar a continuidade do tratamento dos pacientes já assistidos pela unidade. Para isso, o hospital negocia uma linha de crédito que possa garantir o funcionamento da assistência nas próximas semanas.

"Do ponto de vista médico, é muito ruim transferir o atendimento de um paciente para outra unidade. É uma outra equipe, sempre há perda de continuidade e perda de tempo nesse tratamento. Estamos fazendo um esforço junto aos nossos fornecedores e pleiteando uma nova linha de crédito emergencial que dure entre 20 e 30 dias. Queremos garantir pelo menos duas ou três semanas de atendimento aos pacientes que já estão conosco", afirmou.

Ainda de acordo com Marcelo Martins, o valor do empréstimo ainda está sendo definido. A expectativa da direção é que o crédito ofereça tempo para que seja encontrada uma solução definitiva para o financiamento da assistência oncológica no estado.

Durante a coletiva, o hospital informou que precisa de um reforço de R$ 4,2 milhões por mês para retomar o atendimento de novos pacientes. Atualmente, a unidade recebe cerca de R$ 6 milhões mensais pela produção realizada por meio da Tabela SUS, além de um complemento de R$ 900 mil repassado pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi).

Marcelo Martins, diretor-técnico do Hospital São Marcos - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Marcelo Martins, diretor-técnico do Hospital São Marcos

Para justificar o pedido de complementação financeira, a direção apresentou um comparativo com hospitais oncológicos de outros estados. Segundo os dados apresentados, instituições com perfil semelhante recebem um volume maior de recursos em relação à produção realizada pelo SUS.

Para demonstrar o que chamou de “distorção”, o hospital elaborou um comparativo com outras instituições oncológicas do Brasil, usando como indicador um multiplicador, ou seja, quantas vezes o valor total recebido por cada hospital supera o que ele de fato produziu pela Tabela SUS. Nessa comparação, hospitais como o Oncológico Infantil do Pará recebe 4,51x mais que a produção mensal; a Fundação Pio XII e o Hospital de Barretos, em São Paulo, recebem cerca de 3,91x a mais.

“O Hospital Oncológico do Pará, para cada criança que ele trata, recebe 4,5x a Tabela do SUS. O São Marcos recebe 1,1x. o Hospital de Barretos, quando trata um paciente, ele recebe 3,9x a Tabela do SUS. O São Marcos recebe 1,1x. Quando comparo com os pares e quando falamos em valores isolados, a diferença é absurda. Então o São Marcos passa por dificuldades financeiras por subfinanciamento, não por excesso de custos”, disse Marcelo Martins, diretor técnico do hospital.

Procurada pelo Portal O Dia, a Sesapi informou que a Fundação Municipal de Saúde é a responsável pela gestão e financiamento, mas que apesar disso, realiza repasses regulares para complementar a manutenção dos serviços ofertados.

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) esclarece que, conforme a pactuação vigente do Sistema Único de Saúde (SUS), o município de Teresina é o responsável pela gestão e pelo financiamento dos serviços de oncologia ofertados na capital para todos os pacientes do estado, recebendo, para isso, os respectivos repasses financeiros do Ministério da Saúde, em razão de sua condição de gestão plena do SUS. Ainda assim, o Governo do Estado, por meio da Sesapi, realiza repasses regulares ao Hospital São Marcos de maneira complementar, contribuindo para a manutenção dos serviços prestados à população.

A Sesapi ressalta, ainda, que o Governo do Estado do Piauí vem realizando investimentos estratégicos para ampliar e descentralizar a assistência oncológica, garantindo maior acesso da população aos serviços especializados em diferentes regiões do estado, como a implantação do serviço de oncologia no Hospital Getúlio Vargas (HGV), situado na capital.

Entre as ações já concretizadas está a implantação da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) no Hospital Getúlio Vargas (HGV), em Teresina. Além disso, outras unidades encontram-se em fase de implantação no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, no Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, e no novo Hospital Regional de Picos, previstas de finalização ainda neste segundo semestre de 2026.

A presidente da Fundação Municipal de Saúde, Leopoldina Cipriano, afirmou que o município repassa mais que o necessário para o custeio dos atendimentos e detalhou quais medidas serão adotadas para que a população não fique desassistida.

"Hoje, a Fundação Municipal de Saúde tem um contrato com o Hospital São Marcos que varia de acordo com a produção, mas a média é de R$ 6,2 milhões. Desse contrato, Teresina financia 60% do contrato, que equivale a mais de R$ 3,5 milhões, enquanto o Ministério da Saúde repassa o valor em média de R$ 1,5 milhões e a Sesapi R$ 900 mil. O que a gente pede é que o Ministério da Saúde e a Sesapi reconheçam que Teresina hoje passa 60% do contrato e só utiliza uma média de 39% a 40% do contrato, então a gente hoje custeia mais do que a real necessidade da população de Teresina.

Mas outras medidas também estão sendo adotadas pela Fundação Municipal de Saúde. Estamos buscando serviços privados para que possam complementar o atendimento da população nessa hora para que não tenha falta de tratamento para as pessoas, além disso vamos dialogar com o HU para que ele possa aumentar o número de consultas e tratamentos nesse momento e claro, também buscando o Ministério Público, a Justiça Federal e o Ministério Público Estadual, além do Ministério e da Sesapi para garantir que não tenha descontinuidade no atendimento à população do Piauí".