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Caso Marielle: acusado de matar vereadora delata ex-deputado como mandante

Ronnie Lessa aponta o nome de Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e antigo desafeto de Marcelo Freixo, de quem Marielle foi assessora na Alerj

24/01/2024 às 09h49

24/01/2024 às 09h49

O ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em março de 2018, delatou o ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, como mandante do crime.

A informação foi divulgada pelo site Intercept Brasil, que a confirmou com fontes envolvidas na investigação. Em nota, a Polícia Federal negou a existência de um acordo de delação com Lessa, o qual precisaria ser homologado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido ao foro privilegiado de Brazão.

Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro do TCE-RJ - (Reprodução) Reprodução
Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro do TCE-RJ

Segundo o Intercept, o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, à época filiado ao MDB, teria encomendado a morte de Marielle como forma de “vingança” contra o ex-deputado estadual e presidente da Embratur, Marcelo Freixo, antes nos quadros do PSOL e atualmente no PT.

A vereadora trabalhou como assessora de Freixo durante dez anos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e presenciou diversos embates entre o ex-deputado e o colega parlamentar Brazão. Em 2016, Marielle concorreu à Câmara Municipal do Rio pelo PSOL e foi eleita com mais de 46 mil votos.

Possível motivação do crime

Os conflitos entre Freixo e Brazão começaram quando, em 2008, o relatório final da CPI das Milícias, presidida pelo hoje presidente da Embratur, apontou o nome do delatado por Ronnie Lessa como um dos candidatos liberados para realizar campanha em Rio das Pedras, bairro carioca dominado pela milícia.

Em 2019, Brazão chegou a ser acusado formalmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de obstruir investigações do caso. O ex-deputado também foi investigado pelo Ministério Público estadual, pela Polícia Federal e pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que não encontraram provas contra ele.

Marcelo Freixo, ex-deputado federal e presidente da Embratur - (Valter Campanato/Agência Brasil) Valter Campanato/Agência Brasil
Marcelo Freixo, ex-deputado federal e presidente da Embratur

Ao Intercept Brasil, o advogado do conselheiro, Márcio Palma, declarou não estar ciente da delação de Lessa e acompanhar o caso pela imprensa, já que o pedido de acesso aos autos do inquérito foi negado. Brazão também negou qualquer envolvimento com o crime.

Na rede social X, antigo Twitter, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, escreveu que desvendar a resposta do crime configura um “dever do Estado Brasileiro”. A titular da pasta federal é irmã de Marielle.

“Recebi as últimas notícias relacionadas ao caso Marielle e Anderson e reafirmo o que dizemos desde que a tiraram de nós: não descansaremos enquanto não houver justiça. A nossa família aguarda os comunicados e resultados oficiais das investigações e está ciente do comprometimento das autoridades para a resolução do caso”, afirmou.

Relembre o caso

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados a tiros em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. A vereadora do PSOL e o motorista foram vítimas de uma emboscada enquanto voltavam de um evento na Lapa, zona central da capital fluminense.

Marielle Franco, vereadora do Rio assassinada em 2018 - (Renan Olaz/Câmara do Rio) Renan Olaz/Câmara do Rio
Marielle Franco, vereadora do Rio assassinada em 2018

Ativista pelos direitos humanos e da população negra, Marielle criticava a violência policial, a atuação das milícias e o governo do então presidente Michel Temer (MDB). Anderson Gomes era motorista de aplicativo e trabalhava para a vereadora.

A investigação do crime, conduzida inicialmente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi federalizada em 2023. Até o momento, além de Ronnie Lessa, acusado de assassinar a dupla, o também ex-PM Élcio de Queiroz é acusado de dirigir o veículo utilizado na execução.

Com edição de Nathalia Amaral.